O futebol não são só os grandes

Acordamos todos os dias a ver, ouvir e a ler sobre as mesmas três cores, no que diz respeito ao futebol. Por via da sobrevivência económica, a comunicação social faz um namoro descarado e obsessivo com os ditos “grandes”, parece “esquecer” que o país da bola vai muito além da Segunda Circular ou do Norte. Antes e depois do jogo, o Torreense foi olimpicamente ignorado. Falou-se dos milhões do adversário, da crise do gigante, do azar do favorito. Mas quem ganhou, com alma e mérito nas quatro linhas foi o Torreense. Os grandes são favoritos no papel, mas o futebol ainda se decide na relva, onde o favoritismo não marca golos. O futebol moderno precisa de uma dose de romantismo e crítica social.

A vitória do Torreense é o triunfo dos pequenos que se recusam a ser figurantes no teatro dos poderosos. Porque o futebol não é um exclusivo de três equipas; é um património do povo. O Povo de Torres Vedras deu uma lição gravada a ouro; união e solidariedade. Milhares invadiram o Jamor em romaria, enquanto outros tantos pintavam o concelho com as cores da festa. O futebol é isto: a prova viva de que a paixão não se mede pelo orçamento. Qualquer adepto que ama o desporto quer ficar longe dos milhões e dos holofotes tendenciosos.

O futebol alcançava outras metas se houvesse mais fins de semanas como este; a raça, a força e a solidariedade ganharam à soberba.

Carlos Oliveira