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Lula critica EUA e afirma que Brasil não aceita ser tratado com 'republiqueta'

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O Presidente brasileiro, Lula da Silva, afirmou hoje que o Brasil não aceitará ser tratado como "republiqueta", após os Estados Unidos classificarem o Primeiro Comando da Capital e o Comando Vermelho como organizações terroristas.

Lula pediu respeito pela soberania brasileira e afirmou que o país não aceitará interferências externas, declarando: "não brinquem com a soberania desse país" e "não brinquem com a nossa democracia".

O chefe de Estado criticou ainda o senador e pré-candidato presidencial Flávio Bolsonaro, que se reuniu esta semana, em Washington, com o Presidente dos EUA, Donald Trump, e com o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, para tratar da classificação do PCC e do CV.

Sem citar diretamente Flávio Bolsonaro, Lula afirmou que há "um candidato a presidente" que "não tem vergonha na cara de trair a (...) pátria" ao pedir "intervenção americana no Brasil".

O Presidente brasileiro sugeriu que Marco Rubio não participou na reunião de três horas que teve com Trump há três semanas na Casa Branca, porque o secretário de Estado estaria "preparado para ajudar um filho de um bolsonarista".

Lula afirmou que o PCC e o CV são terroristas "para as comunidades brasileiras", mas "não da forma como o Trump quer", ao mencionar, como exemplo, Osama bin Laden, ex-líder da Al Quaida morto por tropas dos EUA em 2011.

Na sequência, o político brasileiro reafirmou que o combate às fações criminosas será conduzido pelas instituições nacionais "aqui dentro".

"Esse tal de Comando Vermelho, esse tal de PCC, eles são terroristas para as comunidades brasileiras, para a sociedade brasileira, para o povo da periferia desse país", declarou. 

"Eles são terroristas porque incomodam as famílias, eles incomodam o bairro, eles incomodam a cidade, eles roubam tudo que tem direito do povo, o direito do povo ir e vir livremente", completou.

Lula afirmou ter entregado documentos a Trump sobre cooperação bilateral contra o crime organizado e pediu a extradição de brasileiros investigados por contrabando, lavagem de dinheiro e outros crimes, que estariam nos Estados Unidos.

"Quer combater o crime organizado? Me entregue os nossos que estão lá nos Estados Unidos", afirmou Lula, ao citar suspeitos brasileiros que viveriam em Miami e no estado de Delaware.

Entre eles, o Presidente brasileiro citou nominalmente o empresário Ricardo Magro, considerado pelas autoridades brasileiras como o maior sonegador de impostos do Brasil, dono de uma refinaria de combustíveis já interditada no Brasil.  

"Nós não aceitamos ser tratado como moleque. Nós não aceitamos ser tratado como se fosse uma republiqueta", afirmou durante o evento de anúncios de investimentos da Petrobras no estado de Sergipe. 

O Presidente também defendeu a aprovação da Proposta de Emenda Constitucional da Segurança Pública no Senado, afirmando que a proposta permitirá ampliar investimentos federais em inteligência e fortalecer o combate ao crime organizado.

A declaração é uma pressão indireta ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre, adversário político do Palácio do Planalto, que ainda não deu andamento à tramitação da proposta. 

Lula voltou a defender o multilateralismo e afirmou que o Brasil exige respeito de todas as nações, declarando que "não fala grosso" com nenhum país.