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Madeira

Vento no Aeroporto da Madeira aumentou três nós em dez anos

Instituto Português do Mar e da Atmosfera e o Laboratório Nacional de Engenharia Civil estão investigar as causas desta mudança

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A força do vento no Aeroporto da Madeira sofreu uma "variação anormal" a partir de 2015, registando um agravamento médio na ordem dos três nós que tem inviabilizado grande parte das aterragens e descolagens em Santa Cruz. A revelação foi feita pelo secretário de Estado das Infraestruturas, que classificou a alteração no padrão dos ventos como um fenómeno "manifestamente estranho".

A velocidade do vento no Aeroporto da Madeira agravou-se nos últimos 10 anos e registou um aumento médio de três nós - sensivelmente 5,5 km/h - o que tem condicionado, ainda mais, as aterragens e descolagens em Santa Cruz.

A revelação foi feita, esta manhã, pelo secretário de Estado das Infraestruturas, Hugo Espírito Santo, explicando que o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) e o Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC) estão a apurar as causas deste fenómeno.

Declarações de Hugo Espírito Santo

Durante a audição parlamentar, o governante assumiu a sua perplexidade perante os dados meteorológicos recolhidos na Região. "A única coisa que eu queria adiantar - e que eu acho que é relativamente claro neste momento - é que existe, de facto, uma variação anormal da velocidade do vento a partir do ano 2015", afirmou Hugo Espírito Santo.

Podíamos até brincar que pode ter alguma coisa a ver com o ciclo político, mas na verdade eu acho que há algo manifestamente estranho que acontece. Neste momento foi instruído o IPMA e o próprio LNEC para investigar exactamente porque é que isto aconteceu, porque na verdade é uma subida de cerca de três nós, o que de facto invalida grande parte das operações. Secretário de Estado das Infraestruturas, Hugo Espírito Santo

Vânia Jesus interpela ministro das Infraestruturas sobre aeroportos, portos e mobilidade na Madeira

Através de comunicado enviado pelo PSD-Madeira à imprensa, o partido informou, esta quarta-feira, que a deputada do PSD-Madeira na República, Vânia Jesus, usou a audição regimental ao ministro das Infraestruturas, Miguel Pinto Luz, realizada hoje no parlamento nacional, para levar a Lisboa um conjunto de preocupações da Região Autónoma da Madeira em matéria de transportes aéreos, marítimos e mobilidade.

Atrasos na certificação do radar de 3,5 milhões de euros

Em paralelo à investigação sobre a natureza dos ventos, o governante foi confrontado com o processo de certificação do novo sistema de medição avançada, o MAD Winds, confirmando que a operacionalização deste equipamento, instalado em Novembro de 2025, atrasou devido à sua complexidade.

"Sobre a questão do MADWinds, dos ventos do Aeroporto da Madeira, nós não temos ainda relatórios preliminares. A certificação do equipamento é um processo que foi bastante demoroso", justificou o governante, lembrando o carácter excepcional do radar.

Este é um equipamento que existe em muito poucos aeroportos do mundo, é uma tecnologia bastante inovadora, estava instalado em quatro aeroportos antes de ser instalado no Funchal e, portanto, nós vamos ter de deixar o LNEC e o IPMA a trabalhar activamente. Secretário de Estado das Infraestruturas, Hugo Espírito Santo

Radar que detectará ventos no aeroporto da Madeira em funcionamento em 10 de Novembro

Anúncio feito pelo ministro das Infraestruturas e Habitação, Miguel Pinto Luz

Recorde-se que o MAD Winds é um sistema meteorológico de ponta, que representou um investimento na ordem dos 3,5 milhões de euros. O equipamento, entregue e gerido pela NAV Portugal combina um Radar de Banda X com a tecnologia LIDAR para analisar dados meteorológicos em tempo quase real, alcançando um raio de monitorização superior a 10 quilómetros de distância.

Esta tecnologia avançada tem como principal objectivo identificar e mitigar os efeitos dos ventos cruzados característicos do arquipélago, detectando com alta precisão o windshear e as zonas de turbulência.