Montenegro avisa que PSD vai forçar partidos a "revelarem-se" na hora de votar reformas
presidente do PSD e recandidato ao cargo avisou hoje que irá forçar os partidos a "revelarem-se" na hora de votar transformações no Estado, criticando os que pedem reformas, mas não na "sua casa ou no seu setor".
Luís Montenegro apresentou hoje, em Sintra, a moção de estratégia global com que se recandidata à liderança no partido nas eleições diretas de 30 de maio, horas após o líder do Chega, André Ventura, ter avisado que o seu partido vai votar contra a nova lei de organização do Tribunal de Contas, que vai a debate quarta-feira no parlamento.
"Eu sei que, por estes dias, tantos daqueles que clamam por esse Estado ágil, esse Estado eficiente, chegamos à conclusão que é apenas clamor para político ver, porque, quando chega à realidade das decisões, têm medo, metem a viola ao saco e fazem de conta que não é nada com eles", criticou.
O também primeiro-ministro admitiu que o Governo está disponível para "aprofundar, densificar e discutir as opções", mas "não está disponível para deixar tudo na mesma".
"Levantem-se as resistências corporativas que levantarem, levantem-se os políticos que não tenham coragem a não ser na conversa. Levantem-se aqueles que estão bem instalados a viver à conta do excesso de burocracia, do excesso de regras, da adulteração e da corrupção que aí está montada", desafiou.
Montenegro ironizou que Portugal é um país "de grandes reformistas a conversar nas televisões, nos jornais e nas rádios".
"Mas quando chega a hora da verdade, somos nós e pouco mais aqueles com que o país pode contar para fazer verdadeiras transformações. Depois olhamos para os outros partidos políticos e vemos que, sempre que se mexe, estão sempre mal. Reformar, sim, mas na porta ao lado. Reformar, sim, mas não no meu setor. Reformar, sim, mas não na minha casa. Reformar, sim, mas não coisa que cause reação", disse, acusando estes políticos de quererem "agradar a todos".
Para esses, Montenegro deixou um aviso: "Isso vai ser até uma determinada altura, porque nós vamos forçar a decisão. Os partidos e os políticos vão ter de se revelar no momento de votar as transformações, porque não é por falta de oportunidade que vamos ficar sem esse debate", defendeu.