Paulo Cafôfo destaca o aumento do custo de vida que deveria "envergonhar" o Governo Regional
O líder parlamentar do PS fez a intervenção política semanal, começando por lembrar que a Assembleia não comemorou o Dia da Autonomia.
"Ao não assinalar politicamente esta data, já que não houve qualquer iniciativa, desperdiçou-se uma oportunidade de afirmar a Madeira e de projetar a próxima geração da Autonomia. Uma Nova Autonomia", afirmou.
Cinco décadas depois, deixa uma pergunta: "avançamos ou consentimos que ela regrida?" Infelizmente, diz, estamos a regredir.
"Regredimos no Subsídio Social de Mobilidade, regredimos na continuidade territorial e regredimos quando o PSD, na República, vota contra as propostas do Partido Socialista, que põem fim às trapalhadas do seu governo e ao corte de direitos dos madeirenses. Votaram contra mas não impediram que elas fossem aprovadas".
Quando falamos de Autonomia, "temos de falar do que hoje mais pesa sobre a vida concreta das famílias: o custo de vida. Porque é aí que ela se mede. Não é nas estatísticas recitadas aqui na Assembleia".
"É no supermercado. É na bomba de gasolina. É na renda ao fim do mês. É na prestação da casa. É na botija do gás. É na conta da eletricidade. É na angústia silenciosa de quem trabalha todos os dias e, mesmo assim, chega ao fim do mês sem fôlego", afirma Paulo Cafôfo.
O deputado socialista destaca um dado "que devia envergonhar este Governo Regional que vive satisfeito consigo próprio: a Madeira tem a inflação mais alta do que a do país há 30 meses consecutivos, desde outubro de 2023".
E, afirma, não vale a pena "mascarar isto com triunfalismos macroeconómicos".
"Mas o povo não vive com os milhões do PIB, nem ninguém enche o frigorífico com as palavras que saem da boca do presidente do governo, nem ninguém paga a renda com gráficos que ele aqui mostrou. Os salários continuam mais baixos do que no País, menos 86 euros mensais, enquanto a inflação continua acima da média nacional. É este o retrato real do desfasamento entre a riqueza gerada na Região e o rendimento disponível das famílias. A vida está demasiado cara para demasiada gente2.
A Madeira tem mais de 53 mil pessoas em risco de pobreza, 1 em cada 5 madeirenses estão nesta situação.
"É por isso que a Autonomia, com 50 anos de idade, para ser adulta, não pode ser só política. Tem de ser também social. Tem de ser alimentar, pois não podemos ser uma Região em que os produtos agrícolas são o principal bem importado".
O custo de vida na Madeira, garante, é agravado pelo facto de os preços serem mais elevados num mercado onde a concorrência é muito limitada, sobretudo na grande distribuição, dominada essencialmente por duas cadeias de supermercados.
"Com restrições à entrada de novos operadores, como o Lidl, cuja presença na Região continua por concretizar-se, reduz-se a pressão competitiva sobre os preços. Da mesma forma, nos combustíveis a Região não tem postos low cost como os que existem no continente, deixando as famílias e as empresas sem alternativas mais baratas para enfrentar os custos do dia a dia".
Na energia, a Madeira continua demasiado dependente do exterior. Em 2025, a quota de renováveis na produção de eletricidade foi de 36,4%. No Continente, a incorporação renovável na eletricidade chegou a 77,3%.
"Primeiro, desvalorização e depois a negação, por parte de Miguel Albuquerque. Nega-se a baixar o IVA. Insiste numa tese que os dados do Banco de Portugal desmentem: a redução do IVA nos bens alimentares, nomeadamente o IVA ZERO, repercutiu-se nos preços e chegou ao consumidor. É falso dizer que foi absorvido pelos intermediários. Quanto ao Secretário da Economia, José Manuel Rodrigues começou por anunciar um observatório de preços", afirma.
Os madeirenses, protesta, não precisam de um observatório para observar aquilo que já sofrem todos os dias.
No início de março, o PS-Madeira apresentou "medidas, para dar resposta imediata, aliviando o peso da alimentação, com redução do IVA, mas igualmente na energia, nos combustíveis, incluindo o gás".
Paulo Cafôfo acusa o Governo de estar "a ganhar com a guerra, ao não reduzir também o IVA nos combustíveis, pois baixando apenas o ISP, acaba por arrecadar mais receita à medida que os preços sobem. Importa relembrar que, em 2025, o Governo Regional atingiu um valor recorde de receita de ISP, arrecadando 59 milhões de euros, mais 40% do que em 2024".
Encher, hoje, um depósito de 50 litros de gasóleo, "custa mais 24,50 euros, do que antes da guerra. Um único depósito. E mesmo assim dizem-nos para ter calma, para observar, para esperar".
"Para que serve a Autonomia, se não servir para proteger as pessoas quando elas mais precisam", pergunta.