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Costa pede que se abram formalmente negociações para adesão da Ucrânia

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Foto EPA/GEORGE CHRISTOFOROU

O presidente do Conselho Europeu, António Costa, pediu hoje que se abram formalmente os primeiros capítulos de negociação para a adesão da Ucrânia à União Europeia, após uma reunião trilateral em Chipre com Zelensky e Von der Leyen.

Em declarações aos jornalistas à chegada à marina de Agia Napa, onde se realiza o primeiro dia da cimeira informal de chefes de Estado e de Governo da União Europeia (UE) em Chipre, António Costa considerou que hoje é um "bom dia".

"Demos dois passos muito importantes para reforçar a Ucrânia: aprovámos o empréstimo de 90 mil milhões de euros para apoiar a Ucrânia neste ano e no próximo, para satisfazer as principais necessidades de apoio financeiro e para defenderem-se da agressão russa", referiu, saudando ainda o facto de a UE ter aprovado o 20.º pacote de sanções à Rússia.

"Agora, é preciso olhar para a frente e preparar o próximo passo e o próximo passo é abrir formalmente os primeiros capítulos para a adesão da Ucrânia à UE", afirmou.

Antes destas declarações, António Costa participou numa reunião trilateral com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e o chefe de Estado ucraniano, Volodymyr Zelensky, num hotel em Agia Napa, Chipre, antes do início da cimeira informal.

Numa declaração conjunta divulgada após esse encontro, Costa, Von der Leyen e Zelensky destacaram os "progressos significativos realizados pela Ucrânia" para a adesão à UE e apelaram, por isso, à "abertura dos blocos de negociação sem demora".

Por outro, os três líderes saudaram a aprovação do empréstimo de 90 mil milhões de euros a Kiev, dizendo esperar que o primeiro desembolso ocorra agora no segundo trimestre do ano.

Costa, Von der Leyen e Zelensky congratularam-se, ainda, com a adoção do 20.º pacote de sanções à Rússia, que inclui medidas anti-evasão, e sublinharam a necessidade de "exercer maior pressão sobre a Rússia para cessar a sua agressão e participar em negociações significativas com vista à paz".

As negociações para a adesão da Ucrânia à UE têm sido bloqueadas pelo primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, que perdeu as eleições legislativas de 12 de abril, o que levou vários responsáveis europeus a considerarem que a sua saída de cena pode dar um novo ímpeto ao processo.

Volodymyr Zelensky tem apelado a que a Ucrânia adira à UE em 2027 -- meta assumida como impossível por muitos Estados-membros e responsáveis europeus -- e, hoje, à chegada a Chipre, voltou a defender que Kiev merece uma adesão plena e não uma integração simbólica.

"Sejamos justos. A Ucrânia não precisa de uma adesão simbólica à UE. A Ucrânia defende-se a si própria e defende, sem dúvida, a Europa, não simbolicamente, realmente", ao combater uma invasão russa", afirmou, reagindo a uma notícia do jornal britânico Financial Times, segundo a qual a França e a Alemanha pretendem oferecer, nesta fase, apenas vantagens simbólicas à Ucrânia.

Kiev apresentou formalmente o pedido de adesão à UE em 28 de fevereiro de 2022, poucos dias depois do início da invasão russa. Tem estatuto de país candidato desde 23 de junho desse mesmo ano.

Em meados de dezembro de 2023, o Conselho Europeu decidiu abrir as negociações formais de adesão à UE com a Ucrânia.