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Fact Check Madeira

Estrangeiros pagam cada vez mais pela compra de casa?

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A afirmação de que os estrangeiros pagam mais do que os residentes locais e que os preços atingiram níveis recorde pode ser, de facto, verificável e confirmam-no os números. Os dados oficiais do INE, divulgados pela DREM há cerca de um mês, mas disponíveis até ao 3.º trimestre de 2025, evidenciam uma diferença substancial. O que não é possível saber é quantos dos 3.546 imóveis adquiridos entre Julho e Setembro do ano passado ou os mais de 11 mil apenas nos primeiros nove meses do ano, foram feitos por estrangeiros.

Resumindo, é possível saber que pagam mais que os cidadãos portugueses, no caso madeirenses, mas não quantos são. Um facto é que pagam muito mais e a sua capacidade financeira superior tem influenciado e atirado os preços para cima, afastando a diferença para valores bem acima do que era facto no passado recente.

Olhando para os números reais, o valor mediano de venda por metro quadrado na Região Autónoma da Madeira passou de 1.209€ no 1.º trimestre de 2019 para 2.512€ no 3.º trimestre de 2025, uma subida de 108% em seis anos. No Funchal, o salto foi de 1.842€ no 4.º trimestre de 2024 para 4.800€/m² no 3.º trimestre de 2025, um aumento de 160,5%.

Quanto ao diferencial entre residentes e estrangeiros, os dados do INE mostram que, em 2019, os valores pagos por compradores de fora do território nacional na RAM não eram suficientemente significativos para serem publicados ou não eram especificados (aparecem como dado nulo). O primeiro registo comparável disponível é o 1.º trimestre de 2020, quando os estrangeiros pagavam já 1.597€/m² contra 1.343€/m² dos residentes — uma diferença de cerca de 19%, muito inferior ao que acontece hoje (3.º trimestre de 2025).

No 3.º trimestre de 2025, essa diferença situou-se nos 43%: os compradores estrangeiros pagaram uma mediana de 3.523€/m², contra 2.456€/m² dos residentes nacionais. No Funchal, o fosso chegou a ser ainda maior, com os estrangeiros a pagar 50% acima dos residentes no 1.º trimestre de 2025 (4.375€ contra 2.917€/m²). Face ao 4.º trimestre de 2019 a diferença era de quase 18% e hoje escalou uma montanha que só parará quando (e se) o interesse pela Madeira abrandar.

Ou seja, o diferencial regional em apenas 6 anos aumentou 126% na média, enquanto os dados do Funchal apontam para uma diferença de mais 180% no período em que é possível analisar . É por isso possível que a maior diferença da média regional face à capital seja o sinal que muitos estrangeiros estão a comprar também fora da capital, elevando os preços médios nos concelhos limítrofes.

A evolução é, por isso, inequívoca, com os preços pagos por estrangeiros a crescerem mais rapidamente do que os pagos por residentes 120% de subida contra 106% entre 2020 e 2025 — e o diferencial entre os dois grupos alargou-se ao longo do período, ainda que de forma irregular, com trimestres em que a diferença chegou a superar os 45%.

Conclusão: A narrativa de fundo - estrangeiros a pagar mais, pressão sobre o mercado, preços a bater recordes - é real e verificável. E os dados que vão ser publicados em breve - a DREM e o INE têm na calendarização o último trimestre de 2025 a ser divulgado amanhã -, permitirão confirmar novo salto nessa diferença ou, quiçá, um recuo de todo inesperado.

Analisando por outro prisma...

Outra forma de olhar os números é da perspectiva do domicílio fiscal do comprador. Assim, em 2019, compradores com domicílio fiscal fora do território nacional — somando os da União Europeia e os de restantes países — representavam apenas 4,2% das transações na RAM (118 em 2.799). Em 2025, esse peso subiu para 10,0% (329 em 3.303). Uma subida real e relevante. E no pico recente, em 2024, os estrangeiros representaram 10,7% do mercado.

O fosso de preços entre compradores estrangeiros e residentes nacionais é, esse sim, expressivo e crescente. Em 2019, um comprador estrangeiro pagava em média 173.500€ por imóvel na Madeira, contra 137.780€ pago por um residente nacional — uma diferença de cerca de 26%. Em 2025, esse diferencial alargou-se de forma considerável: os estrangeiros pagaram em média 477.243€ por transação, contra 272.968€ dos compradores nacionais, uma diferença de 75%. A tendência de alargamento do fosso é, portanto, real.

O valor médio por transação no mercado total da RAM mais do que duplicou no período: de 139.286€ em 2019 para 293.316€ em 2025, um aumento de 111%. Em termos absolutos, 2024 foi o ano de maior volume de negócio da série, com mais de mil milhões de euros em vendas de habitação na região.

Memória: Britânicos, alemães e norte-americanos são quem mais procura

Há cerca de uma semana noticiámos que quatro em cada 10 estrangeiros interessados em comprar casa na Madeira são dessas três nacionalidades. Funchal tem a maior percentagem de procura de casas por estrangeiros do país, 30% da procura no mercado, dados que os números de compras e vendas parecem confirmar, embora não haja dados sobre o número de compradores por origem e/ou nacionalidade. Mas é um indicador do possível peso face ao total, cerca de 30% dos compradores dos 3.546 imóveis vendidos no 3.º trimestre de 2025 serão estrangeiros, nomeadamente europeus.

Apesar da forte quebra na procura de casas para comprar na Madeira por parte dos estrangeiros, a verdade é que o principal mercado imobiliário regional, o Funchal, tem a maior percentagem de procura de casas por estrangeiros do país, 30%. Os dados divulgados pelo portal idealista colocam a percentagem no 1.º trimestre de 2026 bem abaixo dos dados divulgados no 2.º trimestre de 2025 (42%). Na altura, também a Madeira liderava esse ranking à frente de Faro (Algarve) e São Miguel (Açores). O que mais se destaca, contudo, são as nacionalidades mais fãs da Madeira. Os britânicos, os alemães e os norte-americanos dominam 42% dessa procura de estrangeiros. Actualmente, os cidadãos do Reino Unido (17%), da Alemanha (16%) e dos EUA (9%) demonstraram forte interesse no mercado imobiliário regional, quando nos dados anteriores, os alemães (18%), os britânicos (17%) e os norte-americanos (10%) estavam com um peso ainda maior, totalizando 45% de toda a procura por estrangeiros em imóveis na Madeira, sendo como se sabe mercados cujos cidadãos têm muito maior poder de compra.

Funchal tem a maior percentagem de procura de casas por estrangeiros

Três em cada 10 pesquisas de quem quer comprar casa na capital madeirense é de origem estrangeira, o que significa que o Funchal tem, por esta altura, a maior percentagem de procura de casas por estrangeiros em Portugal. Segundo o portal idealista, 30% supera largamente a média nacional, mesmo que a venda de casas em Portugal a não residentes, estrangeiros e emigrantes portugueses, esteja a cair há três anos. Pois, aqui, aborda-se o interesse na compra de imóveis no país que continua em alta, e no Funchal bate todas as regiões.

No 1.º trimestre de 2020 a diferença de preços pagos por estrangeiros era 19% superior aos pagos pelos cidadãos portugueses na Madeira. No 3.º trimestre de 2025 a diferença já era de 43%, um crescimento de 126% em 6 anos