Europa precisa "superar resistência ideológica" sobre biocombustíveis
O Presidente do Brasil defendeu, esta segunda-feira, em Hannover, Alemanha, os biocombustíveis brasileiros e criticou o regulamento ambiental adotado pela União Europeia, dizendo que a UE "precisa superar sua resistência ideológica aos biocombustíveis".
"Não existe segurança energética sem diversificação. A recente alta nos preços do petróleo mostra que está mais que na hora de a Europa superar sua resistência ideológica aos biocombustíveis. Eles são uma opção barata, confiável e eficiente para descarbonizar o setor de transporte", salientou Lula da Silva.
Lula da Silva fez a declaração numa conferência de imprensa ao lado do primeiro-ministro alemão, Friedrich Merz, que concordou, afirmando que a Europa "não deveria descartar tecnologias que vão se tornar relevantes nos próximos anos".
Mais cedo, o chefe do executivo brasileiro também discursou em favor dos biocombustíveis durante abertura do 'stand' do Brasil na Feira Hannover Messe e na 42.ª Edição do Encontro Económico Brasil-Alemanha.
De forma geral, Lula da Silva criticou, mais de uma vez, as normas europeias que criam barreiras ao biocombustível brasileiro na região, e enfatizou que não há hipótese do Brasil deixar de produzir alimentos para produzir biocombustíveis, e que os alemães "não podem acreditar nessa mitologia".
"Não há hipótese do Brasil deixar de produzir alimento ou do Brasil ocupar a Mata Atlântica, a Mata Amazónica, por conta de produção de biocombustível', sublinhou.
Lula da Silva disse também que "o combustível renovável do Brasil", no caso o etanol de cana-de-açucar, "emite bem menos CO2" do que a gasolina.
"'Aqueles que têm medo de discutir a baixa utilização do combustível fóssil podem parar de ter medo, porque o Brasil está mostrando que é uma opção. E veja que o Brasil é um país produtor de petróleo", declarou.
Ainda na conferência de imprensa, Lula da Silva declarou que o Brasil pode transformar-se "em uma espécie de Arábia Saudita dos biocombustíveis, dos combustíveis renováveis".
Nas últimas semanas, o Governo brasileiro anunciou que até o primeiro semestre deste ano irá aumentar a percentagem de etanol na mistura obrigatória com a gasolina, passando dos atuais 30% para 32%.
A alteração ocorre no contexto da escalada dos preços do barril do petróleo a nível mundial, devido aos efeitos da guerra no Médio Oriente.
Em 2025, o etanol na gasolina subiu de 27% para 30% e o biodiesel no gasóleo de 14% para 15%, resultado dos avanços da implementação da lei do "Combustível do Futuro", de 2024, que amplia gradualmente a mistura de biocombustíveis.