Nascido no Funchal, a 16 de Junho de 1943, foi colega de Liceu de Alberto João Jardim, com que também foi para a tropa e até hoje é amigo. Licenciado em Direito, Guilherme Silva começou exercer o cargo de Procurador da República, em Santa Cruz, rapidamente interrompido pelo serviço militar que cumpriu em Moçambique.
Começou a ter alguma intervenção cívica ainda no Liceu do Funchal em que presidiu à comissão de festas, dirigia um programa no PEF a “Meia hora dos estudantes” e era chefe de redacção de uma página no Jornal da Madeira, a ‘Página dos estudantes’. “Isso deu-me algumas experiência de contactos”, reconhece.
Actividades extra curriculares que não impediram que terminasse e o Liceu com dispensa do exame de admissão e que levaram a quer fizesse um discurso na cerimónia de inauguração da estátua de Jaime Moniz, em representação dos estudantes.
“Esse deve ter sido o meu primeiro discurso público”, recorda.
Terminado o serviço militar inscreve-se na Ordem dos Advogados e estabelece-se em Lisboa. É nessa situação que entra na política, no PSD, e que é convidado por Jardim a integrar a lista de deputados a São Bento.
“Ele disse, preciso de ti para a lista. Eu disse que ia pensar e ele responde ‘não tens de pensar, é preciso”. E começou assim uma carreira na Assembleia da República.
Foi deputado de 1987 a 2015, onde chegou a ser vice-presidente e líder parlamentar mas, sobretudo, o rosto do PSD-Madeira em São Bento e o defensor das posições e reivindicações da Região.
Guilherme Silva foi sempre visto como um verdadeiro embaixador da Madeira em Lisboa, um mediador do contencioso da autonomia.
“É uma expressão que por vezes usavam, no sentido da representação e da credenciação que os embaixadores têm, e apenas nessa parte, pode ser que eu tenha conseguido interpretar os anseios e o mandato que tinha do povo madeirense e credenciá-lo junto da República por via da Assembleia da República. Só nessa medida. De resto, era um deputado pela Madeira e, nessa medida, fazer tudo, como fiz na medida do possível. Nessa altura é uma fase de implantação e desenvolvimento da autonomia regional”.
Uma defesa da Região que o levaria a ter de enfrentar o próprio partido, votando contra um Orçamento de Estado, junto com Correia de Jesus e Hugo Velosa o que valeria processo disciplinares de que seriam anulados pelo Tribunal Constitucional.
Guilherme Silva construiu uma carreira política que o levaría a lugares de destaque, mas isso terá sido o resultado de uma estratégia de sacrificio.
“Quando chegámos éramos vistos à distância e só havia uma forma de ganharmos espaço e era, naquelas coisas que os governos têm, na primeira fase das legislaturas, que é fazer as coisas que desagradam mas que têm de ser feitas, e que é difícil defender e ninguém quer ir, eu voluntariava-me. Porque percebia que tinha de ganhar espaço. Foi aí que ganhei espaço para outras situações que não foram fáceis, como os votos discordantes na maioria parlamentar”, recorda.
É na liderança de Durão Barroso que assume maior protagonismo nacional, integrando um ‘governo sombra’ com a área da administração interna. Com a vitória eleitoral é apontado para as pastas da Administração Interna e da Justiça mas o convite será para liderar a bancada parlamentar.
Um cargo que poderia chocar com a defesa das posições da Madeira. Mas Alberto João Jardim deu todo o apoio para avançar: “tens jogo de cintura para resolver isso, aceita já que isso para a Madeira é mais importante que seres ministro”, disse.
Torna-se um dos rostos do PSD na comunicação social, defendendo posições do partido menos cómodas e mantendo uma “pedagogía” da autonomia em Lisboa.
“Eu chamava sempre à atenção que o PSD nacional ficava sempre muito contente com as vitórias do PSD-Madeira mas quando o Alberto João tomava aquelas atitudes de confronto ficava todo chateado. Eu dizia que eles queriam a quadratura do círculo, não percebem que essas atitudes de Alberto João e algumas minhas são indispensáveis para captarmos o eleitorado da Madeira porque nos identificamos com o interesse regional, pomos a Madeira acima do partido”.
No PSD-M foi sempre considerado uma figura fundamental para garantir um relacionamento produtivo com Lisboa.
Quando se começou a falar na possibilidade de sucessão de Alberto João Jardim, o seu nome foi um dos referidos, mas garante que nunca se colocou em ‘bicos de pés’ para isso.
Guilherme Silva deixou a Assembleia da República em 2015, mas não abandonou a actividade política. Nas últimas eleições presidenciais apoio Luís Marques Mendes mas, na segunda volta foi um dos subscritores do documento ‘Não socialistas por Seguro’, de apoio ao actual Presidente da República.
Quando lhe é perguntado se, hoje, na Assembleia da República falta alguém como ele, lembra como é difícil o trabalho dos deputados: “Não sei, somos todos diferentes. A minha convicção é que os deputados eleitos pela Madeira, sejam do PSD sejam dos outros partidos, fazem o seu melhor pela Madeira na Assembleia da República. Não estou minimamente habilitado a dizer se fizeram melhor ou pior, aqui ou ali. E pouca gente está habilitada a isso, porque só quem lá está, nessas circunstâncias específicas em que se move, com sacrifício, é que sabe. Só quem está dentro do convento é que sabe o que vai lá dentro, e Assembleia da República até já foi um convento”.
Guilherme Silva recorda os tempos da Assembleia da República numa entrevista que pode ver e ouvir no podcast ‘Rostos da Autonomia’ em dnoticias.pt.