Israel reforça pressão e ameaça com ataques "ainda mais dolorosos"
Israel reforçou hoje a pressão dos Estados Unidos sobre o Irão com a ameaça de ataques "ainda mais dolorosos" contra novos alvos se Teerão rejeitar a exigência norte-americana de renunciar ao armamento nuclear.
"O Irão encontra-se num ponto de viragem histórico: um caminho consiste em renunciar ao terrorismo e ao armamento nuclear, em conformidade com a proposta norte-americana, o outro conduz ao abismo", afirmou o ministro da Defesa, Israel Katz.
Se o regime de Teerão optar pela segunda via, "descobrirá muito rapidamente que existem alvos ainda mais dolorosos do que aqueles que já atingimos", acrescentou o ministro israelita, citado pela agência de notícias France-Presse (AFP).
As declarações de Katz seguem-se às do homólogo norte-americano, Peter Hegseth, que horas antes tinha avisado Teerão que as forças dos Estados Unidos estavam preparadas para retomar os ataques se Teerão não aceitasse um acordo.
Washington e Teerão concordaram com uma trégua de duas semanas que entrou em vigor em 08 de abril para negociar um acordo de paz, mas as conversações realizadas no fim de semana no Paquistão terminaram sem sucesso.
O Paquistão tem estado a tentar uma nova ronda de negociações antes de terminar a trégua, em 22 de abril, e os Estados Unidos decretaram um bloqueio aos portos iranianos como forma de pressão sobre Teerão.
O Irão, por sua vez, ameaçou bloquear a navegação no mar Vermelho, para o que contará com os aliados huthis do Iémen, num cenário que agravaria ainda mais a crise petrolífera causada pela guerra israelo-americana contra Teerão.
Hegseth advertiu que o bloqueio marítimo vai durar o tempo que for necessário e que a força militar foi mantida na região para esse efeito, mas também para retomar os ataques se Teerão não aceitar um acordo.
O Presidente norte-americano, Donald Trump, justificou a guerra com a iminência de o Irão se dotar de armas nucleares, embora sem provas, e exigiu que Teerão renunciasse ao programa nuclear.
O Irão, que perdeu o líder supremo, Ali Khamenei, no primeiro dia da guerra, tem rejeitado as exigências norte-americanas e alegado que tem o direito ao uso da tecnologia nuclear para fins civis.
A ofensiva contra Teerão foi lançada em 28 de fevereiro, precisamente numa altura em que decorriam conversações entre os Estados Unidos e o Irão sobre o programa nuclear iraniano.
A guerra causou mais de quatro mil mortos na região, maioritariamente no Irão e no Líbano, além de ter feito recear uma recessão económica a nível global dadas as implicações que está a ter no mercado de energia.
O Irão vive sob um regime teocrático desde a revolução islâmica de 1979, que reprime a população do país, e as autoridades de Teerão têm sido acusadas de financiarem grupos terroristas.