Especialistas da ONU apontam "padrão de limpeza étnica" em ataques de Israel no Líbano
Um grupo de 20 especialistas das Nações Unidas em direitos humanos defendeu hoje que Israel está a repetir no Líbano abusos perpetrados em Gaza, com possíveis crimes de guerra ou contra a humanidade e padrões análogos a limpeza étnica.
A declaração foi assinada, entre outros, pela relatora especial da ONU para os Territórios Palestinianos, Francesca Albanese, cujas recentes declarações sobre Israel ser "o inimigo comum da Humanidade" levaram a que França, Alemanha e outros países pedissem a sua demissão.
A emissão por Israel de ordens de evacuação em grande escala no Líbano, refere a declaração, combinada com a destruição de casas, "aponta para a limpeza étnica" e assemelha-se a práticas "iniciadas durante o genocídio em Gaza".
Os subscritores incluem ainda a relatora especial da ONU para os deslocados internos, Paula Gaviria; para a habitação, Balakrishnan Rajagopal; e para o direito ao desenvolvimento, Surya Deva.
"A deslocação forçada de populações civis constitui crimes contra a humanidade e crimes de guerra, de acordo com o direito internacional", afirmam.
Os especialistas condenaram particularmente a campanha de bombardeamentos indiscriminados contra o Líbano, a 08 de abril, poucas horas após o cessar-fogo entre os Estados Unidos e o Irão, que atingiu 150 alvos em simultâneo e provocou pelo menos 303 mortos e 1.150 feridos.
"Trata-se de uma violação flagrante da Carta da ONU, de uma destruição deliberada das perspetivas de paz e de uma afronta ao multilateralismo e à ordem internacional", afirmaram.
Os subscritores apelam ainda aos Estados Unidos para que usem a sua influência a fim de garantir que Israel cesse os ataques contra civis e a outros Estados para que suspendam as transferências de armas para aquele país enquanto continuar a cometer graves violações do direito internacional.