Continua transporte irregular de crude venezuelano
Um relatório duma organização não-governamental (ONG) venezuelano indicou que as frotas irregulares de transporte de crude venezuelano continuam ativas embora tenham diminuído.
Cem dias depois da captura de Nicolás Maduro e do anúncio dos EUA de que iam controlar o petróleo venezuelano, a ONG Transparência Venezuela (TV) referiu que, no mês passado, foram identificados pelo menos 44 barcos relacionados com operações irregulares, alguns deles sujeitos a sanções internacionais e outros que operam em "modo oculto", ou seja, com o sistema de identificação desligado para evadir a monitorização internacional.
"As frotas petrolíferas irregulares perdem peso relativo, mas continuam a representar uma ameaça à transparência e à legalidade do comércio petrolífero venezuelano, uma vez que permanecem ativas e adaptam os métodos para contornar sanções e controlos internacionais", de acordo com o relatório.
A Transparência Venezuela referiu que, embora tenham sido identificados mais seis barcos que os observados em janeiro, o número detetado representa 30% do total dos movimentos de petróleo, contra 33% em janeiro de 2026 e 47% no final de 2025.
"Apesar da pressão internacional e do aumento do número de navios legais monitorizados, a atividade das frotas ilegais persiste. Os operadores [ilegais] recorrem a manobras cada vez mais sofisticadas como o uso de bandeiras de conveniência, de países como o Panamá e de Malta, e técnicas para contornar sanções e a monitorização global e continuar a extrair petróleo venezuelano nas sombras [clandestinamente]", de acordo com o documento.
Por outro lado, a ONG alertou que, embora um maior controlo sobre as rotas marítimas tenha surtido efeito e a tendência seja a diminuição, não foi possível erradicar na totalidade a presença nem as manobras destas "frotas-fantasma".
"A pressão marítima exercida principalmente pelos Estados Unidos e pela Europa está a surtir efeito, mas não é suficiente", advertiu.
O relatório salientou que "continuam a existir riscos de corrupção, branqueamento de capitais e opacidade fiscal associados a este esquema, e que a diminuição da proporção de frotas irregulares se deve mais à entrada de embarcações legais - graças ao alívio parcial de certas sanções- do que a uma verdadeira erradicação dos métodos ilícitos".
A Transparência Venezuela concluiu que, embora as frotas clandestinas tenham perdido presença, o desafio para a transparência no setor petrolífero continua em vigor e requer maior cooperação internacional, controlos mais rigorosos e vontade política para pôr fim a um flagelo que compromete as possibilidades de recuperação económica da Venezuela.
Entre setembro de 2025 e abril de 2026, os EUA intercetaram e confiscaram pelo menos cinco barcos petrolíferos por violarem as sanções internacionais e transportarem petróleo venezuelano.
Os barcos, "Skipper", "Centuries", "Bella 1" ("Marinera"), "Olina" e "Sophia", faziam parte de "frotas-fantasma" que operavam nas águas das Caraíbas.
Em 07 de janeiro de 2026, quatro dias depois da captura de Nicolás Maduro, os Estados Unidos anunciaram que planeiam controlar indefinidamente a venda de petróleo venezuelano e depositar as receitas dessas transações em contas geridas por Washington.
"Vamos colocar no mercado o petróleo bruto que está a sair da Venezuela, primeiro este petróleo que está atualmente retido, e depois, indefinidamente, venderemos toda a produção venezuelana no mercado", disse o secretário da Energia norte-americano, Chris Wright, numa conferência de Energia da Goldman Sachs em Miami (sul).
A 06 de janeiro de 2026, o Presidente norte-americano, Donald Trump, anunciou que Caracas ia entregar entre 30 e 50 milhões de barris de petróleo aos Estados Unidos para venda no mercado.
A Venezuela detém as maiores reservas de petróleo bruto do mundo, representando 17% do total, mas em janeiro de 2026 contribuía apenas com 1% da produção global.