Vivemos do Turismo
A Madeira precisa de cinco (5) campos de golfe. Não são palavras minhas, mas sim do Sr. Paulo Sousa, presidente do Clube de Golfe do Santo da Serra, e com as quais concordo plenamente.
Se recuarmos 70 anos, a Madeira vivia da agricultura, dos bordados, da tapeçaria, dos vinhos e de algum turismo. Havia pobreza, sim. Recordo-me de ver crianças com menos de 10 anos, nas “canoas”, a serem atiradas ao mar, dos ombros de familiares, para apanharem moedas lançadas por passageiros de navios fundeados na baía do Funchal, muitos em trânsito para as Américas. Triste, mas verdadeiro.
Era jovem na altura e sentia vergonha dessa pobreza, mas era a realidade. Lembro-me também de colegas da escola primária da Pena que iam descalços e, por vezes, sem nada para comer. Era a Madeira dos anos 50 e 60.
Apesar disso, dizia-se que a Madeira era uma pérola do Atlântico. Talvez por isso tantos madeirenses tenham emigrado, à procura de trabalho e de melhores condições de vida.
Hoje, o nível de vida melhorou imenso nas últimas décadas. Muito por força do turismo.
E, voltando ao golfe, não há dúvidas de que é um desporto associado a um turista mais abastado, com capacidade financeira, muitas vezes reformado, que viaja pelo mundo e procura destinos de qualidade. A Madeira, enquanto pérola do Atlântico, tem aqui uma oportunidade clara.
A Região não precisa de turismo de baixa qualidade, nem de visitantes sem capacidade para usufruir do que tem para oferecer. Precisa, sim, de turismo qualificado.
O Sr. Secretário Regional do Turismo tem desenvolvido um trabalho relevante na promoção do arquipélago da Madeira e do Porto Santo.
Basta olhar para o Algarve: sem o turismo e o golfe, dificilmente teria evoluído desde a realidade dos anos 50 e 60.
Por isso, faz sentido reconhecer a visão do Sr. Paulo Sousa. Contra factos, não há argumentos.
Damião de Freitas