Zelensky confirmou participação ucraniana no conflito contra o Irão
O Presidente Volodymyr Zelensky disse que os militares ucranianos abateram drones Shahed, de fabrico iraniano, em vários países do Médio Oriente durante a guerra com o Irão, confirmando a participação em missões no estrangeiro.
Zelensky fez o primeiro reconhecimento público das operações internacionais na quarta-feira, em declarações à imprensa que estiveram sob embargo até hoje de manhã.
Segundo o Presidente da Ucrânia, as forças de Kiev participaram em operações no estrangeiro utilizando aparelhos aéreos não tripulados de interceção de fabrico ucraniano, eficazes contra drones Shahed de fabrico iraniano utilizados pela Rússia na Ucrânia.
"Não se tratava de uma missão de treino ou de exercícios, mas sim de apoio na construção de um sistema de defesa aérea moderno que realmente funcionasse", disse Zelensky.
A Ucrânia participou nas operações defensivas antes do cessar-fogo provisório no Médio Oriente, alcançado entre o Irão e os Estados Unidos.
Zelensky não identificou os países envolvidos, mas afirmou que os efetivos ucranianos operaram "em várias nações", ajudando a reforçar os respetivos sistemas de defesa aérea.
Anteriormente, Zelensky tinha declarado que 228 especialistas ucranianos estiveram destacados na região do Médio Oriente.
Em troca, a Ucrânia está a receber armamento para proteger as instalações de energia, bem como petróleo, gasóleo e, em alguns casos, apoio financeiro, disse o chefe de Estado.
O líder ucraniano afirmou que os acordos vão reforçar a estabilidade energética da Ucrânia e descreveu as parcerias como algo que será promovido, à medida que Kiev procura formalizar e expandir conhecimentos no setor da defesa.
A revelação surgiu no momento em que há preocupações de que o conflito no Médio Oriente possa desviar o apoio militar ocidental da Ucrânia, particularmente o fornecimento de equipamento para a defesa aérea.
Zelensky afirmou que os parceiros da Ucrânia continuam a fornecer mísseis aos sistemas Patriot, adiantando que um novo lote chegou nos últimos dias e que a Ucrânia está a trabalhar com todos os parceiros para garantir que as defesas aéreas se mantêm em funcionamento.
O chefe de Estado afirmou ainda ter instado os enviados norte-americanos Steve Witkoff e Jared Kushner a visitarem Kiev, referindo que a oferta ocorreu antes do cessar-fogo no Médio Oriente.
"Eu disse-lhes: 'Venham ter connosco e depois vão a Moscovo. Vamos realizar uma reunião trilateral neste formato'", propôs.
Sobre o conteúdo das eventuais discussões, Zelensky disse que a Ucrânia está a preparar propostas sobre garantias de segurança para apresentar aos Estados Unidos e manifestou a esperança de que a diplomacia avance.
As negociações lideradas pelos Estados Unidos não avançaram sendo que a atenção de Washington voltou-se para o conflito no Médio Oriente, enquanto os exércitos russo e ucraniano permanecem em combate na linha da frente de aproximadamente 1.250 quilómetros.
Por outro lado, Zelensky afirmou esperar que os aliados ocidentais restabeleçam as sanções totais ao petróleo russo, alertando que qualquer alívio poderia permitir a Moscovo sustentar os esforços de guerra.
A Rússia tem beneficiado da subida dos preços globais da energia, provocada pelos danos nas infraestruturas de petróleo e gás no Golfo Pérsico e pelo bloqueio do Estreito de Ormuz pelo Irão, uma rota marítima vital para o fornecimento global de petróleo.