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Na obra 'A Última Ceia' de Da Vinci apóstolos revelam medo, surpresa e suspeita

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Na obra "A Última Ceia", de Leonardo da Vinci, as expressões faciais dos apóstolos revelam padrões neuroemocionais distintos como surpresa, medo, incredulidade, indignação, empatia e suspeita, conclui um estudo da Universidade Fernando Pessoa, no Porto.

"A cena pintada por Leonardo da Vinci representa o primeiro momento de reação emocional coletiva à revelação da traição, funcionando como um protótipo naturalista de observação experimental da emoção", sustenta a investigação do diretor do Laboratório de Expressão Facial da Emoção da Faculdade de Medicina da Universidade Fernando Pessoa, professor Freitas-Magalhães, que durou 16 anos.

Em comunicado enviado à Lusa, a Universidade Fernando Pessoa sustenta que essa investigação, que deu origem ao livro "A Face da Traição: A Neurociência da Emoção na Última Ceia de Leonardo da Vinci", mostra que a análise facial demonstra que a culpa, o medo e a dissimulação formam o triângulo neuroemocional da traição, particularmente evidente na figura de Judas.

A composição da pintura organiza os apóstolos em quatro grupos emocionais, permitindo comparar respostas afetivas diferentes perante o mesmo estímulo, assinala.

"A codificação facial mostra que Leonardo captou microdinâmicas expressivas extremamente precisas antecipando, séculos antes, princípios hoje estudados pela neurociência da emoção", aponta.

A obra revela que a face humana funciona como interface biológico entre cérebro, emoção e comunicação social, tornando visíveis processos neuropsicológicos profundos.

"'A Última Ceia' não é apenas uma obra de arte, é um teatro neuroemocional onde a biologia da confiança quebrada se torna visível na face humana", disse Freitas-Magalhães, citado no comunicado.

Integrando neurociência, psicologia da emoção, história da arte e análise facial científica, o autor demonstra que a pintura de Leonardo da Vinci pode ser compreendida como um verdadeiro laboratório visual da emoção humana.

Nessa sequência, o livro propõe uma nova leitura da obra-prima de Leonardo da Vinci não apenas como narrativa religiosa ou realização artística, mas como documento extraordinário da psicologia humana, destaca a universidade.

A análise demonstra que a arte pode preservar, com impressionante fidelidade, os padrões universais da expressão emocional, conclui.