Israel bombardeia Teerão no oitavo dia da guerra
Israel bombardeou hoje a capital iraniana, Teerão, depois de o Presidente norte-americano, Donald Trump, ter afirmado querer a "capitulação incondicional" do Irão.
"As Forças de Defesa de Israel iniciaram uma onda de ataques em grande escala" contra alvos governamentais na capital iraniana, de acordo com um comunicado do exército israelita divulgado esta madrugada.
O início de novos ataques decorrem pouco depois de o exército ter afirmado ter detetado uma nova salva de mísseis iranianos em direção a Israel.
Uma série de explosões foi ouvida em Telavive após estes disparos iranianos, aparentemente provenientes da interceção dos mísseis pelas defesas israelitas.
O exército divulgou então um comunicado a indicar que os habitantes estavam livres para sair dos abrigos "em todas as regiões do país".
As operações militares "estão a decorrer muito bem", congratulou-se na sexta-feira à noite o Presidente norte-americano, que tinha anteriormente assegurado na rede social Truth Social - da qual é proprietário, que não haveria "nenhum acordo com o Irão, apenas uma CAPITULAÇÃO INCONDICIONAL!".
As declarações do líder republicano dos EUA fizeram disparar os preços do petróleo, que subiram quase 30% numa semana, atingindo níveis não vistos desde 2023. O conflito na região paralisa grande parte do fluxo de hidrocarbonetos proveniente do Golfo.
Os bombardeamentos sucederam-se sem tréguas, com o exército israelita a anunciar ter atingido "400 alvos" em todo o Irão apenas na sexta-feira. O comando militar norte-americano para o Médio Oriente (Centcom) afirmou ter atingido mais de "três mil" alvos desde o início da operação "Fúria Épica", há uma semana.
"Estamos a esmagar o regime terrorista iraniano", afirmou na sexta-feira à noite o chefe do Estado-Maior do exército israelita.
De acordo com as autoridades iranianas, cerca de mil pessoas foram mortas desde o início da guerra, 30% das quais são crianças, disse o porta-voz do Governo na sexta-feira, citado pela agência France-Presse (AFP), que não conseguiu verificar estas informações.
O Irão continua a retaliar e visa Israel, onde dez pessoas já foram mortas, de acordo com os serviços de emergência. Outros países vizinhos do Golfo também têm sido alvos, embora Teerão garanta que só ataca bases e interesses norte-americanos.
Treze pessoas, incluindo sete civis, morreram na região. Ainda na sexta-feira, mísseis e drones atingiram Kuwait, Bahrein, Arábia Saudita e Qatar.
O Ministério da Defesa saudita anunciou hoje ter destruído um míssil balístico que se dirigia para a base aérea do príncipe Sultan, que abriga militares norte-americanos.
No Iraque, uma instalação petrolífera no sul do país foi alvo pela segunda vez na sexta-feira de um ataque com drones, disse uma fonte de segurança iraquiana. O aeroporto de Bagdade, que abriga uma base militar e uma instalação diplomática dos EUA, também foi atingido.
No Líbano, envolvido no conflito quando o Hezbollah, pró-Irão, atacou Israel "para vingar" a morte do ayatollah Ali Khamenei, o balanço dos bombardeamentos massivos israelitas lançados em retaliação continua a aumentar: pelo menos nove mortos na sexta-feira à noite em ataques no leste, elevando o balanço total desde segunda-feira para mais de 220 mortos e cerca de 800 feridos, de acordo com as autoridades.
Cerca de 300 mil pessoas tiveram de fugir dos ataques israelitas em todo o país, de acordo com o Conselho Norueguês para os Refugiados, muitas vezes sem saber para onde ir.
O Hezbollah também continua a disparar foguetes contra Israel, 70 na sexta-feira, de acordo com o exército israelita, que afirmou ter atingido "500 alvos" no Líbano desde segunda-feira e matado "70 terroristas" do movimento xiita libanês.
No sul do Líbano, uma posição da Força Interina das Nações Unidas (FINUL) foi alvejada na sexta-feira, resultando em dois capacetes azuis feridos com gravidade, de acordo com a comunicação social estatal e o exército do Ghana. squeci-meO Presidente francês, Emmanuel Macron, referiu-se a um "ataque inaceitável".
A situação provocada por "todos os ataques ilegais" no Médio Oriente pode tornar-se incontrolável, alertou, na sexta-feira, o secretário-geral da ONU, António Guterres.
Os Estados Unidos e Israel lançaram a 28 de fevereiro um ataque militar contra o Irão, alegadamente motivado pela inflexibilidade do regime político nas negociações sobre o enriquecimento de urânio, no âmbito do programa nuclear, que afirmavam destinar-se apenas a fins civis.
Em retaliação, o Irão lançou ataques contra alvos em Israel, bases norte-americanas e outras infraestruturas em países da região como Arábia Saudita, Bahrein, Emirados Árabes Unidos, Qatar, Kuwait, Líbano, Jordânia, Omã e Iraque.