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Madeira

UMAR assinala Dia da Mulher com alerta para desigualdades persistentes

A associação estará presente na 52.ª edição da Feira do Livro do Funchal, entre os dias 20 e 29 de Março

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Foto IP

A coordenadora da UMAR – União de Mulheres Alternativa e Resposta na Madeira, Joana Martins, apresentou esta sexta-feira, em conferência de imprensa realizada na sede da associação, o conjunto de iniciativas que serão promovidas para assinalar o Dia Internacional da Mulher, celebrado este domingo, bem como algumas das actividades previstas no âmbito das comemorações dos 50 anos da associação.

Na ocasião, a responsável começou por recordar que o Dia Internacional da Mulher tem origem na luta histórica das mulheres por melhores condições de vida, de trabalho e por direitos fundamentais, sublinhando que, apesar dos progressos alcançados nas últimas décadas, continuam a existir diversas desigualdades que afectam as mulheres.

“Muitas vezes associa-se o Dia Internacional da Mulher sobretudo à violência, mas essa não é a única desigualdade. Existem muitas outras que é importante falar e combater”, afirmou, referindo-se, entre outros aspectos, às diferenças salariais, à desigualdade na partilha das tarefas domésticas e das responsabilidades familiares e às dificuldades na conciliação entre vida profissional e familiar.

Joana Martins alertou que estas desigualdades persistem em diferentes áreas da sociedade e recordou estimativas internacionais que apontam que poderão ser necessários entre 300 e 400 anos para alcançar a plena igualdade de género se o ritmo atual se mantiver.

No ano em que a associação celebra meio século de existência, a 12 de Setembro, a UMAR decidiu promover iniciativas descentralizadas por todo o país. Na Madeira, uma das principais actividades será o lançamento do VI Concurso de Artesanato e de Artes Plásticas, subordinado ao tema '50 anos de Luta pelos Direitos das Mulheres', que será divulgado nas redes sociais da associação no próprio dia 8 de Março.

O concurso estará aberto à participação de todas as pessoas residentes na Região Autónoma da Madeira, de qualquer nacionalidade, a partir dos 16 anos de idade, prevendo a atribuição de três prémios em cada categoria — artesanato e artes plásticas — além de possíveis menções honrosas.

A iniciativa conta com a colaboração da ARTE.M – Associação Cultural e Artística, que participará na divulgação e no júri, estando também prevista para o último trimestre do ano uma exposição com os trabalhos apresentados nas várias edições do concurso na Art Gallery Caravel Center.

Entre as actividades previstas para assinalar o Dia Internacional da Mulher, a associação dinamiza ainda esta sexta-feira uma tertúlia na Casa da Cultura de Santa Cruz, dedicada a mulheres que exercem profissões tradicionalmente "masculinizadas." “Vamos conversar um pouco sobre como é ser mulher e trabalhar nestas áreas”, explicou a coordenadora, referindo que a iniciativa contará com a participação de convidadas de diferentes profissões, como bombeiras e técnicas de armazéns.

A UMAR irá também participar na 52.ª edição da Feira do Livro do Funchal, entre os dias 20 e 29 de Março, com um stand próprio na Avenida Arriaga, onde serão divulgados livros, materiais informativos e outras publicações da associação.

No último dia do certame, será apresentado o livro 'Mulheres do Funchal, Mulheres de Liberdade', uma obra que reúne 12 histórias de vida de mulheres residentes no concelho, com idades entre os 34 e os 78 anos, de diferentes profissões e percursos. Segundo Joana Martins, o objectivo deste trabalho é contribuir para combater a invisibilidade histórica das mulheres, registando e valorizando os seus testemunhos.

Na próxima segunda-feira, dia 9 de Março, a associação tomará posse como membros do Conselho Municipal para a Igualdade e Não Discriminação, na Câmara Municipal do Funchal.

Por fim, deixou um apelo à participação de toda a sociedade na promoção da igualdade de género, sublinhando que esta é uma causa colectiva. “A UMAR está aqui há 50 anos e vai continuar esta luta com todas as gerações e com todas as pessoas que se queiram juntar a nós, homens incluídos, porque só assim se constrói uma sociedade mais igualitária.”