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Guerra no Irão Mundo

UE e países do Golfo instam Teerão a "cessar imediatamente" ataques

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A União Europeia (UE) e os países do Golfo instaram hoje o Irão a "cessar imediatamente" os "ataques injustificados" contra os países da região e comprometeram-se a "unir esforços diplomáticos" para impedir "atividades desestabilizadoras" do regime de Teerão.

Este compromisso é assumido numa declaração conjunta divulgada após uma reunião extraordinária, que se realizou por videoconferência, entre ministros dos Negócios Estrangeiros da UE e os seus homólogos dos países do Golfo: Bahrein, Kuwait, Qatar, Omã, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos.

Na declaração, a UE manifesta solidariedade com os países do Golfo perante os "ataques injustificadas" do Irão e as duas partes instam Teerão a "cessá-los imediatamente", avisando que "ameaçam a segurança regional e global".

"Os ministros recordaram o direito inerente dos países do Conselho de Coordenação do Golfo, em conformidade com o artigo 51.º da Carta das Nações Unidas, de se defenderem, individual e coletivamente, contra os ataques armados do Irão", referem, acrescentando que os países do Golfo "têm o direito de tomar todas as medidas necessárias para defender a sua segurança e estabilidade".

As duas partes dizem ainda ter concordado, durante a reunião, "em unir esforços diplomáticos para encontrar uma solução duradoura que impeça o Irão de adquirir armas nucleares, cessar a produção e proliferação de mísseis balísticos, veículos aéreos não tripulados e quaisquer tecnologias que ameacem a segurança da região, bem como abster-se de atividades desestabilizadoras na região e na Europa".

"E, em última análise, para permitir que o povo iraniano determine o seu futuro", lê-se na declaração.

No mesmo comunicado, a UE e os países do Golfo reafirmam o seu "compromisso inabalável com o diálogo e a diplomacia como forma de resolver a crise" atual e salientam que, no passado, instaram várias vezes Teerão a "restringir o seu programa nuclear e o seu programa de mísseis balísticos", assim como a abster-se de atividades desestabilizadoras e a "pôr termo à violência chocante contra o seu próprio povo".

Os ministros afirmam ainda a necessidade de preservar o espaço aéreo e as rotas marítimas da região para garantir que há liberdade de navegação, incluindo no estreito de Ormuz, e que se preservam a segurança das cadeias de abastecimento e a estabilidade dos mercados globais de energia.

"A segurança e a estabilidade na região do Golfo são pilares fundamentais da economia global, intrinsecamente ligadas à segurança europeia e global", refere o comunicado.

Neste contexto, tanto a UE como os países do Golfo destacaram a importância das missões navais europeias Aspides e Atalanta, presentes no Mar Vermelho e no Oceano Índico Ocidental, para "proteger vias marítimas críticas e reduzir disrupções nas cadeias de abastecimento".

Na declaração, a UE agradece ainda aos países do Golfo pela "hospitalidade e assistência fornecidas a cidadãos europeus" que se encontram na região e assegura que irá "continuar a fazer todos os esforços possíveis" para permitir o seu repatriamento seguro.

Na reunião, que teve uma duração de cerca de duas horas, Portugal fez-se representar pela secretária de Estado dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, Ana Isabel Xavier.

Israel e Estados Unidos lançaram a 28 de fevereiro uma ofensiva ao Irão para "eliminar as ameaças iminentes do regime iraniano", tendo matado o guia supremo iraniano, o 'ayatollah' Ali Khamenei, e grande parte dos altos responsáveis da Guarda Revolucionária.

O Conselho de Liderança Iraniano dirige o país após a morte de Ali Khamenei.

Em reação, o Irão encerrou o estreito de Ormuz e lançou ataques de retaliação contra Israel, bases norte-americanas e outras infraestruturas em países da região do Golfo e do Mediterrâneo como Arábia Saudita, Bahrein, Emirados Árabes Unidos, Qatar, Kuwait, Líbano, Jordânia, Omã, Iraque, Chipre (membro da UE) e Turquia (membro da NATO).

Segundo as autoridades iranianas, os ataques israelitas e norte-americanos causaram, até agora, mais de mil mortos. Os Estados Unidos confirmaram a morte de seis militares norte-americanos.