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Guerra no Irão Mundo

Austrália anuncia envio de "recursos militares" para Médio Oriente

Dois aviões militares são referidos, um país que tem cerca de 115 mil cidadãos

Foto Shutterstock
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Camberra enviou dois aviões militares como parte de um plano para retirar australianos devido à guerra desencadeada pela ofensiva americano-israelita contra o Irão, informaram hoje fontes oficiais australianas à agência de notícias France-Presse (AFP).

"Enviámos recursos militares no âmbito dos nossos planos de emergência ativados no início da semana", tinha anunciado antes o primeiro-ministro australiano, Anthony Albanese, no parlamento, sem especificar a que meios militares se referia, quando cerca de 115 mil cidadãos australianos se encontram na região.

A emissora australiana SBS News fez saber que os recursos enviados foram aviões e fontes oficiais não identificadas especificaram à AFP tratar-se de avião de transporte pesado e um avião de reabastecimento, salientando ao mesmo tempo que a melhor forma de os australianos regressarem a casa é através de voos comerciais.

O primeiro dos voos com aparelhos militares aterrou em Sydney proveniente do Dubai na quarta-feira.

Vários países estão a tentar retirar nacionais da região devido aos ataques norte-americanos e israelitas contra o Irão, que mataram o líder supremo iraniano, 'ayatollah' Ali Khamenei, e desencadearam uma guerra regional.

A Nova Zelândia também ordenou hoje o envio de dois aviões militares para a região para proceder à retirada de nacionais.

Wellington vai enviar "pessoal consular e dois aviões das Forças de Defesa para a região, para que estejam prontos, quando as condições o permitirem, para ajudar em qualquer operação de retirada de civis", disse o ministro dos Negócios Estrangeiros da Nova Zelândia, Winston Peters.

Em declarações aos jornalistas durante uma viagem à América do Sul, Peters indicou que mais de três mil neozelandeses estão registados como residentes na região, incluindo 23 no Irão e 62 em Israel.

O governante acrescentou que a Nova Zelândia também poderá retirar cidadãos de outros países. "Se tiverem o mínimo motivo para estar no nosso avião, vamos embarcá-los", afirmou Peters.

Entretanto, Albanese e o homólogo canadiano, Mark Carney, que se encontra na Austrália, apelaram hoje à redução da tensão na guerra com o Irão, depois de discutirem o tema durante a reunião na capital australiana, Camberra.

O encontro dos dois chefes do governo ocorreu após a notícia de que um submarino norte-americano afundou um navio de guerra iraniano no Oceano Índico e a Turquia ter anunciado que as defesas da NATO intercetaram um míssil balístico lançado do Irão antes deste entrar no espaço aéreo turco - Teerão negou, entretanto, este ataque.

"Queremos ver uma redução mais ampla das hostilidades com um grupo mais amplo de países do que apenas os beligerantes diretamente envolvidos", disse Carney numa conferência de imprensa conjunta com Albanese.

"Salientamos que isso não pode ser alcançado, a menos que estejamos em posição de acabar com a capacidade do Irão de adquirir armas nucleares, desenvolver armas nucleares e exportar terrorismo. Portanto, este processo deve levar a esses resultados", acrescentou Carney.

O líder canadiano referiu que o Conselho de Cooperação do Golfo, composto por seis nações, que estava a "demonstrar uma enorme contenção", deveria envolver-se no processo de redução da tensão.

"O mundo quer ver uma redução da tensão e quer que o Irão pare de espalhar os destinos dos seus ataques", acrescentou Albanese. "Estamos a ver os Estados do Golfo, que não estiveram envolvidos, ser atacados em toda a linha, incluindo ataques a áreas civis e turísticas. Mas também queremos ver os objetivos alcançados. Quero ver a possibilidade de o Irão obter uma arma nuclear removida de uma vez por todas", notou ainda.

O primeiro-ministro canadiano afirmou hoje que "não pode excluir" a participação militar do país na guerra que se intensifica no Médio Oriente, manifestando apoio aos seus aliados, porém "com algum pesar".

   "Estamos a enfrentar ativamente o mundo como ele é, não esperando passivamente por um mundo que desejamos. Mas também assumimos essa posição com algum pesar, porque o conflito atual é mais um exemplo do fracasso da ordem internacional", disse Carney no terceiro dia da visita oficial à Austrália, antes de partir para o Japão, onde é esperado esta sexta-feira.