Mobilidade (que tanto incomoda)
Temos um governo regional que tarda na promoção de meios alternativos de circulação na nossa ilha, sobretudo no eixo Machico – Câmara de Lobos
A necessidade de mudar de um sítio para outro, de sair de um lugar para ocupar outro, é sinal de evolução e de iniciativa. Mudamos porque estamos desconfortáveis, porque ambicionamos algo mais ou simplesmente porque somos obrigados a isso, seja por responsabilidades profissionais, familiares ou pessoais.
Ficar imóvel é sinal de falta de vontade, de capacidade ou até de indiferença, mergulhando num comodismo forçado por interesses externos ou assumido por livre vontade, fugindo a qualquer crítica ou interpretação indesejada.
Estar imóvel no exercício de um cargo político é, no meu ponto de vista, não o honrar. Somos eleitos para decidir, para agir em prol do interesse público, na defesa dos nossos munícipes (no meu caso), no combate às desigualdades e injustiças, e na procura de melhores condições de vida para aqueles que residem neste concelho e esperam que ele corresponda às suas necessidades presentes e futuras.
A mobilidade dos assistentes operacionais para bombeiros sapadores pode não ser relevante para muitos. Para esses, apenas o interesse de ter razão os move, tendo por base uma leitura excessivamente formal da lei. Mas aqueles que estão próximos desta realidade percebem a injustiça da situação. Não agir perante a mesma fazia-me sentir imóvel, inútil e incapaz. Não sendo essa a minha forma de estar, e estando ao meu alcance decidir por algo que permitisse que esta mobilidade acontecesse, sem dúvidas ou receios, decidi.
A exposição pública que advém do exercício de um cargo político, como o de presidente de Câmara, pode agradar a uns e inibir outros. Pode até fazer-nos sentir importantes ou relevantes e levar-nos a achar que ganhar umas eleições nos torna especiais. Mas, se deixarmos que seja o cargo que ocupamos a definir-nos, perdemos identidade e personalidade.
Nós é que fazemos o cargo que ocupamos, nunca o contrário.
A mobilidade é sinal de vida. É cada vez mais uma palavra comum no nosso dia-a-dia, mas ultimamente não pelas melhores razões. Temos um governo nacional centralista que ignora que dependemos exclusivamente do transporte aéreo para sair da nossa região. E temos um governo regional que tarda na promoção de meios alternativos de circulação na nossa ilha, sobretudo no eixo Machico – Câmara de Lobos. Quando estamos longe da realidade, ou sem vontade e coragem de nos expor na decisão, a palavra mobilidade incomoda.
A mobilidade, também como eleição para cargos de maior responsabilidade, onde se pode influenciar o desenvolvimento de uma freguesia, de um concelho, de uma região ou até de um país, exige ação. Sim, com o devido planeamento e sustentação legal, mas sobretudo com clareza, bom senso e coragem para mudar o que sabemos estar mal. Infelizmente, muitos decidem não decidir e permanecer imóveis no cargo que ocupam.
Honrar o cargo é decidir. E decidir implica agir.