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Guerra no Irão Mundo

Grupos dissidentes curdos dizem estar a preparar-se para a luta com apoio dos EUA

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Foto Shutterstock

Grupos dissidentes curdos iranianos baseados no norte do Iraque estão a preparar-se para uma potencial operação militar transfronteiriça no Irão, e os EUA pediram aos curdos iraquianos que os apoiassem, disseram autoridades curdas.

Segundo a agência de notícias Associated Press, os grupos curdos são amplamente vistos como o segmento mais bem organizado da oposição iraniana fragmentada e acredita-se que tenham milhares de combatentes treinados.

Assim, a entrada dos curdos na guerra pode representar um desafio significativo para as autoridades em dificuldades em Teerão e também pode significar um risco maior de envolvimento do Iraque no conflito.

Khalil Nadiri, um responsável do Partido da Liberdade do Curdistão, ou PAK, baseado na região meio autónoma curda do norte do Iraque, disse hoje que algumas das suas forças tinham-se deslocado para áreas próximas à fronteira iraniana, na província de Sulaymaniyah e estavam em espera.

Aquele responsável adiantou que os líderes dos grupos de oposição curdos tinham sido contactados por autoridades dos EUA sobre uma operação potencial, mas não deu mais detalhes sobre a mesma.

Questionado sobre relatórios de que a administração Trump estava a considerar armar grupos curdos iranianos, o Secretário de Defesa Pete Hegseth disse hoje aos jornalistas: "Nenhum dos nossos objetivos se baseia no apoio ou no armamento de qualquer força em particular. Portanto, o que outras entidades possam estar a fazer, temos conhecimento, mas os nossos objetivos não se centram nisso."

Antes de os EUA e Israel atacarem o Irão, no sábado passado, desencadeando uma nova guerra no Médio Oriente, o PAK tinha reivindicado ataques à Guarda Revolucionária paramilitar iraniana como retaliação à violenta repressão de Teerão aos protestos. Mas, um responsável do grupo disse que não tinha enviado forças do Iraque para o Irão.

Se os grupos curdos iranianos e iraquianos se juntassem à guerra, seria a primeira entrada de uma força terrestre significativa na batalha. Os grupos curdos têm experiência de combate da luta contra o grupo Estado Islâmico.

Um responsável da Komala, outro dos grupos curdos iranianos, disse hoje que as suas forças estão prontas para atravessar a fronteira dentro de uma a duas semanas.

Quando questionada sobre a chamada e os relatos de que Trump procurou apoio militar para os grupos curdos iranianos, a secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, disse: "Ele falou com líderes curdos no que diz respeito à nossa base que temos no norte do Iraque", mas aquela responsável negou que Trump tivesse concordado com um plano específico.

O responsável curdo iraquiano disse que os curdos iraquianos estavam preocupados que ao envolver-se diretamente no conflito pudesse provocar uma resposta severa do Irão.

Já a região curda tem sido alvo de uma série de ataques de drones e mísseis por parte do Irão e milícias iraquianas aliadas nos últimos dias, atingindo bases militares dos EUA e o Consulado dos EUA em Erbil, bem como as bases dos grupos curdos.

Embora a maioria dos ataques tenham sido intercetados, casas de civis foram danificadas e a região está a sofrer cortes de eletricidade, depois de um campo de gás importante ter interrompido operações devido a preocupações de segurança.

Numa declaração, o PUK confirmou que Talabani tinha falado por telefone com Trump, que "deu esclarecimentos e a visão sobre os objetivos dos EUA na guerra."

A declaração dizia que o PUK "acredita que a melhor solução é um regresso à mesa de negociações."

O Iraque, em 2023, chegou a acordo com o Irão para desarmar os grupos e transferi-los das suas bases perto das áreas fronteiriças com o Irão --- onde potencialmente representavam um desafio armado a Teerão --- para campos designados por Bagdade.

As suas bases militares foram encerradas e o seu movimento dentro do Iraque restrito, mas os grupos não desistiram de não entregar as suas armas.