Chega defende "operação humanitária" dos EUA e Israel e IL lamenta abandono dos iranianos
O Chega defendeu hoje que o ataque dos Estados Unidos e de Israel ao Irão é uma "operação humanitária", enquanto para a Iniciativa Liberal (IL) a intervenção deveu-se "ao abandono" internacional do povo iraniano.
Pedro Frazão, deputado do Chega, e Mariana Leitão, líder e também deputada da IL, falavam aos jornalistas defronte da Assembleia da República, local escolhido por cerca de duas dezenas de refugiados e expatriados iranianos para se manifestarem a favor do ataque dos EUA e Israel ao Irão, contra o regime teocrático de Teerão e pela expulsão do embaixador em Lisboa, Majid Tafreshi.
Apontando para um cartaz empunhado em que se lia que a intervenção militar israelo-norte-americana no Irão é uma "operação humanitária", Pedro Frazão apropriou-se da frase para salientar que há quem defenda que se trata disso mesmo, e não de uma operação ilegal, ao arrepio de uma concertação com as Nações Unidas.
"Eu chamava a atenção para um cartaz que está aqui que fala numa operação humanitária. O que este povo agradece à administração [do Presidente norte-americano, Donald] Trump, agradece a [o primeiro-ministro israelita,] Benjamin Netanyahu, é uma forma de chamar a tudo isto uma operação, não um ataque, como o senhor jornalista está a chamar, mas chama-lhe uma operação humanitária", respondeu Frazão à questão da agência Lusa.
"Porque, se nós virmos isto no sentido da luta do bem contra o mal, esta operação é uma operação que está a libertar 90 milhões de iranianos de um regime opressor que há 70 anos mata pessoas e que agora ainda, no mês passado, ou há dois meses em janeiro, apenas em dois dias, matou mais de 50 mil pessoas nas suas próprias ruas. Portanto, isto não é um ataque, isto é uma operação humanitária", insistiu.
Questionado por que razão se juntou, tal como a líder do IL, temporariamente à ação de protesto, o responsável do Chega disse estar presente "porque quer estar ao lado das pessoas que estão a lutar pela sua liberdade".
"Estas mulheres que estão aqui fugiram de um regime opressor que maltrata as mulheres, que assassina as mulheres, que cega as mulheres, que oprime um povo inteiro e que estão num processo de libertação. Está aqui porque não está ao lado daqueles que falam apenas do direito internacional de uma forma purista para justificar um regime totalitário. Para estar ao lado das pessoas que lutam pela sua liberdade", explicou.
Para Frazão, é hora de, neste momento na história, o Chega ter de estar ao lado do povo que luta por se libertar do regime dos 'ayatollah'. "Não há uma zona cinzenta onde se possa estar. Ou se está ao lado do povo oprimido que se quer libertar ou se está ao lado do regime dos 'ayatollah'.
Mariana Leitão também defendeu os ataques ao Irão, cujo regime teocrático deixou o povo "completamente ao abandono", a ser "vítima dos mais bárbaros atentados aos direitos humanos, à perda da dignidade humana, e mesmo assim lutaram, dando a sua própria vida por esta luta e pela luta pela liberdade".
Questionada pela Lusa sobre se os meios justificam os fins, sobretudo pela possibilidade de se pôr em causa a legalidade dos ataques, a líder do IL defendeu não ser essa a questão que interessa.
"A questão aqui é que temos um povo que foi deixado, entregue a si próprio, sem quaisquer mecanismos de defesa, entregue a um regime que financia grupos terroristas um pouco por toda a região, que é um fator de instabilidade naquela região, e isso também nos devia preocupar, e também nos devia ter preocupado ao longo dos anos", respondeu.
Mariana Leitão sublinhou que, ao longo dos últimos 47 anos (a Revolução Islâmica no Irão aconteceu em 1979, acabando com o regime do xá Mohammad Reza Pahlavi) a diplomacia "não lhe serviu [ao povo iraniano] de nada".
"[A IL] quer fazer alguma coisa para libertar este povo deste regime opressor, ditatorial, e que os tem mortos nas ruas, como já todos nós tivemos, infelizmente, a ocasião de testemunhar. Continuaremos a estar até o Irão ser livre e o povo ser livre e acabarmos com este regime que há mais de 40 anos que persegue, tortura e mata o seu próprio povo", concluiu.
Os Estados Unidos e Israel lançaram a 28 de fevereiro um ataque militar contra o Irão, tendo matado durante a ofensiva o 'ayatollah' Ali Khamenei, líder supremo do país desde 1989.
O Conselho de Liderança Iraniano assume atualmente a direção o país.
O Irão encerrou o estreito de Ormuz e lançou ataques de retaliação contra alvos em Israel, bases norte-americanas e outras infraestruturas em países da região como Arábia Saudita, Bahrein, Emirados Árabes Unidos, Qatar, Kuwait, Líbano, Jordânia, Omã, Iraque, Chipre e Turquia.
Desde o início do conflito, foram contabilizados mais de mil mortos, na maioria iranianos.