Oposição defende livre acesso dos madeirenses aos percursos pedestres
Ainda antes da apreciação do projecto de resolução, da autoria do PSD, intitulado “Pela libertação dos cidadãos portugueses detidos na Venezuela e pelo reforço da acção diplomática”, foram apresentados dois votos de protesto dos principais partidos da oposição, JPP e PS.
Sessão plenária abre com detidos na Venezuela
O início da sessão plenária da Assembleia Legislativa da Madeira desta quarta-feira, 4 de Março, fica marcada pela apreciação na generalidade do projecto de resolução, da autoria do PSD, intitulado “Pela libertação dos cidadãos portugueses detidos na Venezuela e pelo reforço da acção diplomática”.
O deputado socialista Paulo Cafôfo apresentou o voto de protesto "pelas restrições do livre acesso dos madeirenses residentes no estrangeiro à circulação nos percursos pedestres classificados ", da autoria do PS.
"Este voto, mais do que um gesto político, é um apelo. Um apelo à justiça, ao respeito e à coerência para com os milhares de madeirenses que vivem fora da Região, mas que nunca deixaram de o ser", começou por dizer Paulo Cafôfo, defendendo que "as actuais regras de acesso a determinados benefícios continuam a tratar os madeirenses residentes no estrangeiro como se fossem turistas na sua própria terra. Mantém-se a obrigatoriedade de pagamento, apesar das alterações entretanto anunciadas, o que, no fundo, perpetua uma situação de desigualdade".
A defesa do ambiente e a protecção da natureza não podem ser incompatíveis com os direitos dos madeirenses. Infelizmente, continuam a existir constrangimentos administrativos e legais que dificultam esse acesso. Com planeamento responsável e regras claras, é possível preservar o património natural sem excluir quem faz parte integrante desta Região, sejam os madeirenses residentes, sejam aqueles que vivem no estrangeiro. Por isso, apelamos para que se passe das intenções às soluções concretas, justas e inclusivas, garantindo aos madeirenses residentes no estrangeiro igualdade no acesso aos percursos e espaços públicos. Paulo Cafôfo, PS
Rafael Nunes, do JPP, apresentou por seu turno o voto de protesto " Pela Defesa do Direito de Livre Acesso aos Percursos Pedestres da Região pelos Emigrantes Madeirenses ", da autoria do JPP.
"A situação que se tem verificado ao longo dos anos é que o acesso aos percursos de montanha foi transformado numa espécie de autorização estatal, sob o pretexto da gestão de produtos turísticos. Aquilo que deveria ser uma utilização livre, transmitida ao longo de gerações de madeirenses, enfrenta hoje três grandes obstáculos", apontou o parlamentar, passando a enumerar.
O primeiro obstáculo, disse, "é a obrigatoriedade de inscrição na plataforma Simplifica e a exigência de apresentação do Cartão de Cidadão para comprovar a condição de residente, numa lógica burocrática desnecessária, uma vez que o próprio documento já contém toda a informação necessária para essa verificação".
O segundo obstáculo prende-se com "a intenção de limitar o acesso dos madeirenses a apenas 5% da capacidade disponível".
"Isto significa que, por cada 100 turistas autorizados a utilizar estes percursos, apenas cinco madeirenses poderão fazê-lo — uma limitação inadmissível no acesso dos residentes ao património natural da sua própria terra, invertendo prioridades e colocando novamente os madeirenses numa posição secundária face ao visitante", evidenciou, acrescentando que "esta discriminação torna-se ainda mais evidente no caso da diáspora madeirense. Milhares de madeirenses espalhados pelo mundo são, na prática, tratados como estrangeiros quando regressam à sua Região".
Trata-se de uma exclusão que não é apenas injusta, mas profundamente desadequada, ignorando o espírito das políticas públicas que reconhecem e valorizam a ligação histórica da diáspora à Madeira enquanto parte integrante da nossa comunidade. É, por isso, necessário que esta Assembleia rejeite este excesso burocrático e corrija uma situação que fere o princípio da igualdade, garantindo justiça para todos os madeirenses, independentemente do local onde residam Rafael Nunes