Aumento da presença de menores e jovens em grupos que glorificam a violência
A presença de menores e jovens adultos em grupos 'online' de extrema-direita que glorificam a violência aumentou no ano passado, revelou o Relatório Anual de Segurança Interna (RASI), entregue hoje no parlamento.
Segundo o documento que analisa os principais fatores de segurança relativos ao ano de 2025, "verificou-se um aumento da presença de utilizadores portugueses, sobretudo menores e jovens adultos, em grupos 'online' de matriz aceleracionista e neonazi, de âmbito nacional ou transnacional, bem como em grupos satânicos, 'incel' e niilistas ou pós-ideológicos" , em muito casos relacionados com a extrema-direita.
Além destes casos, as autoridades destacaram também a presença de jovens extremistas de direita que partilham, através das redes sociais, conteúdos de "propaganda do terrorismo islamista", o que aumenta o sentimento de ódio.
O RASI alertou também para o facto de os utilizadores portugueses dos canais de propaganda não serem apenas consumidores, mas sim "disseminadores de conteúdos violentos, de propaganda e de manuais que instigam atos de violência".
Os utilizadores portugueses, lê-se ainda no documento, "podem mesmo contribuir para o recrutamento e o planeamento de novos atentados terroristas".
Olhando para o panorama geral, a descrição traçada sobre os tradicionais movimentos 'skinheads' de supremacia branca e matriz neonazi em relação a 2024 manteve-se em 2025, com as autoridades a apontar que estes grupos "não conseguem ser tão apelativos para os jovens quanto os novos movimentos nacionalistas de extrema-direita com forte presença 'online' e líderes carismáticos que atuam como verdadeiros 'influencers'".
Por outro lado, a popularidade dos movimentos identitários levou ao aumento e normalização do discurso de ódio e da violência, dentro e fora da 'internet', "com o aproveitamento político de narrativas que defendem a remigração, canalizando o descontentamento social para a mobilização de identidades coletivas mais radicais".
No ano passado, as autoridades monitorizaram também grupos que se dedicam a artes marciais e outras atividades de treino, cujo foco principal não é a política ou o mundo 'online' e que atraem sobretudo homens jovens "com forte interesse pelo desporto e propensos à violência, muitos deles isolados socialmente ou com problemas psicológicos".
Em relação aos grupos de extrema-esquerda e ao movimento anarquista, o RASI revelou que a sua expressão "continua a não assumir relevância significativa em termos de criminalidade violenta/organizada, ainda que se tenham registado diversas ações de protesto/manifestação".