Desmantelada rede que fornecia apoio a traficantes de imigrantes no Canal da Mancha
As autoridades europeias desmantelaram uma rede criminosa dedicada ao fornecimento de material náutico para o tráfico de migrantes através do Canal da Mancha, com 21 pessoas detidas e buscas em 14 imóveis na Bélgica e Alemanha.
Segundo informaram ontem as agências europeias de cooperação policial, Europol, e judicial, Eurojust, a operação, coordenada entre Bélgica, França, Alemanha, Países Baixos e Reino Unido, apreendeu onze embarcações, coletes salva-vidas, armas, lingotes de ouro, mais de 30 dispositivos eletrónicos e 60.000 euros em dinheiro.
Entre os detidos encontram-se quatro supostos organizadores, de nacionalidade síria, enquanto os 17 restantes desempenhavam funções logísticas de baixo nível.
A rede, integrada por membros curdos iraquianos e sírios, operava como fornecedor grossista de 'kits' de contrabando marítimo.
O material - embarcações insufláveis, motores, bombas, bidões de gasolina e câmaras de pneus - era fabricado na Ásia, importado através da Turquia e armazenado em território alemão antes de ser distribuído para as redes ativas no norte de França.
Cada 'kit' atingia um valor de mais de 10.000 euros no mercado negro e incluía câmaras-de-ar como substituto de coletes salva-vidas homologados, o que agrava o risco mortal das travessias.
As redes criminosas compradoras podiam obter até 100.000 euros por embarcação, dado que cada migrante paga entre 1.000 e 2.000 euros para atravessar a rota em questão.
Os dados da Europol situam em mais de 41.000 o número de migrantes que conseguiram alcançar o Reino Unido em 2025 a bordo de 670 embarcações, com uma média de 66 pessoas por patera.
Mais de metade, dos imigrantes era oriunda da Eritreia, Afeganistão, Sudão, Irão e Somália, e 31 perderam a vida na tentativa de atravessar aquele canal.
A Europol apresentou esta terça-feira o novo Centro Europeu contra o Tráfico de Migrantes (ECAMS), que procura reforçar as investigações financeiras e a coordenação entre países e agências como a Frontex e a Eurojust na luta contra as redes que traficam migrantes.