Rússia condena ataque a central nuclear de Bushehr
O Ministério dos Negócios Estrangeiros da Rússia declarou-se hoje "profundamente indignado" com um ataque no Irão que terá visado a central nuclear de Bushehr, construída e operada com apoio de Moscovo.
"Estamos extremamente indignados com esta manifestação imprudente e irresponsável de uma política desastrosa", declarou a diplomacia russa em comunicado após um anúncio da Organização de Energia Atómica do Irão responsabilizando Estados Unidos e Israel pelo ataque com um projétil que atingiu a central na madrugada de terça para quarta-feira.
Segundo a organização iraniana, um dos edifícios técnicos da central, construído por engenheiros russos, foi atingido por um projétil na terça-feira, num ataque que ocorre após ações semelhantes contra as instalações nucleares de Natanz e Isfahan.
A Rússia tem sido frequentemente acusada de ataques a infraestruturas energéticas, incluindo nucleares, na Ucrânia, país que invadiu há mais de quatro anos.
Os Estados Unidos e Israel lançaram a 28 de fevereiro um ataque militar ao Irão, que justificaram com a inflexibilidade da República Islâmica nas negociações para pôr fim ao enriquecimento de urânio no âmbito do seu programa nuclear, que afirma destinar-se apenas a fins civis.
A empresa estatal russa Rosatom anunciou hoje a redução do número de funcionários na central nuclear de Bushehr, no Irão, para níveis mínimos, após os ataques nas imediações da instalação.
Em comunicado, o diretor da empresa russa especializada em energia nuclear, Alexei Likhachev, afirmou que a medida é temporária e visa garantir a segurança dos trabalhadores, sublinhando que "a saúde e a vida dos colaboradores são a prioridade máxima".
Segundo as autoridades russas, decorre a terceira fase da retirada de pessoal, tendo um primeiro grupo partido hoje em direção à fronteira entre o Irão e a Arménia, estando prevista a saída de mais dois grupos nos próximos dias.
A Rosatom informou que a situação na central "continua a deteriorar-se", depois de um novo ataque registado na zona próxima do reator número um, atualmente em funcionamento.
De acordo com Moscovo, não há registo de vítimas.
O diretor do Atominfo-Center, Alexander Uvarov, alertou, em declarações à agência russa TASS, que o risco não se limita a impactos diretos nas unidades de produção, podendo tornar-se crítico caso sejam afetados sistemas essenciais como o fornecimento de energia externa, os mecanismos de refrigeração ou as infraestruturas de segurança.