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Guerra no Irão Mundo

Guarda Revolucionária avisa que ultimatos dos EUA são respondidos com ataques a Israel

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Foto EPA/Arquivo

A Guarda Revolucionária do Irão avisou hoje que qualquer prazo ou ultimato imposto pelos Estados Unidos ao Irão "constitui um ato de guerra" e tem como resposta ataques aéreos contra Israel.

O comandante da Força Aeroespacial da Guarda Revolucionária, Sayed Majid Mousavi, escreveu na rede social X que os ataques aéreos realizados nas últimas horas contra as cidades israelitas de Dimona e Haifa são "uma mensagem clara em resposta às ameaças americanas de dois e cinco dias".

O oficial da força ideológica do Irão referia-se ao prazo de 48 horas apresentado no sábado pelo Presidente norte-americano, Donald Trump, para o Irão levantar o seu bloqueio ao Estreito de Ormuz, sob ameaça de sofrer ataques contra as suas instalações energéticas.

Na segunda-feira, prolongou este prazo para cinco dias, enquanto anunciava negociações em curso para encerrar o conflito, desencadeado em 28 de fevereiro pelos Estados Unidos (EUA) e Israel contra a República Islâmica.

Segundo os meios de comunicação social estatais iranianos, Teerão rejeitou hoje uma proposta de 15 pontos do Presidente norte-americano.

"A guerra terminará quando o Irão decidir pôr-lhe fim, e não quando Trump assim o decidir", anunciou a estação pública Press TV, citando um responsável iraniano não identificado, depois de o Paquistão ter confirmado que entregou a proposta de Washington às autoridades da República Islâmica.

Segundo o jornal The New York Times e a estação israelita Canal 12, o documento prevê a renúncia de Teerão ao seu plano de enriquecimento de urânio bem como ao seu programa de mísseis de longo alcance e o apoio a grupos armados na região, como o palestiniano Hamas, o libanês Hezbollah e os Huthis do Iémen.

Além disso, o Estreito de Ormuz, por onde transitam cerca de 20% dos hidrocarbonetos mundiais, deverá permanecer aberto à circulação marítima, depois de o Irão ter colocado a passagem sob ameaça militar desde o início do atual conflito, fazendo disparar os preços de petróleo e gás à escala global.

Em contrapartida, o Irão beneficiaria do levantamento das sanções internacionais e apoio para o seu programa nuclear civil. 

Teerão exige pelo seu lado a cessação completa das "agressões e assassínios" dos Estados Unidos, Israel e os seus aliados, indemnizações pelos danos causados pelos ataques aéreos e o reconhecimento da sua soberania sobre o Estreito de Ormuz.

A Casa Branca e o Departamento de Estado norte-americano não confirmaram estas informações, nem Teerão reagiu ainda oficialmente.

A par das iniciativas de diálogo, Washington está a reforçar os seus meios militares no Médio Oriente, deixando em aberto a possibilidade de operações terrestres no Irão.

Em caso de invasão, o Irão abrirá uma "nova frente" num estreito crucial para o tráfego marítimo global, que liga o Mar Vermelho ao Golfo de Aden, ameaçou hoje uma fonte militar à agência de notícias iraniana Tasnim.

Passagem fundamental para o Canal do Suez, "o Estreito de Bab al-Mandeb está entre os mais estratégicos do mundo, e o Irão possui tanto a vontade como a capacidade de gerar uma ameaça perfeitamente credível contra ele", alertou a fonte.

O estreito abrange as águas do Iémen, onde os rebeldes Huthis, aliados do Irão, ainda não se envolveram no novo conflito no Médio Oriente, ao contrário do grupo xiita Hezbollah no Líbano.

"Se os americanos procuram soluções estúpidas para o Ormuz, não devem acrescentar o Bab al-Mandeb aos seus problemas", avisou ainda a fonte militar.

O Irão tinha indicado na terça-feira que "as embarcações não hostis" podem agora "desfrutar de uma passagem segura pelo Estreito de Ormuz", de acordo com a Organização Marítima Internacional.

Londres e Paris vão acolher esta semana uma reunião dos chefes do Estado-Maior de cerca de 30 países que podem formar uma coligação para garantir a segurança da passagem, confirmou à agência France-Presse (AFP) uma fonte do Ministério da Defesa britânico.