ONU apresenta violações israelitas de resolução que exige fim de colonatos
O coordenador especial da ONU para o Processo de Paz no Médio Oriente (UNSCO) apresentou hoje dados que comprovam violações de Israel de uma resolução do Conselho de Segurança que exige o fim dos colonatos em território palestiniano.
A atividade de colonato de Israel nos territórios palestinianos ocupados continua em "níveis elevados", afirmou hoje Ramiz Alakbarov, salientando que a resolução 2334 (de 2016) exige que Israel "cesse imediata e completamente toda a atividade de colonatos" na área e que "respeite integralmente todas as suas obrigações legais a esse respeito".
Entre 03 de dezembro de 2025 e 13 de março de 2026 -- período abrangido pelo último relatório do secretário-geral da ONU -- Israel avançou ou aprovou a construção de mais de 6.000 unidades habitacionais na Cisjordânia ocupada, incluindo cerca de 3.160 na Área C e 2.850 unidades em Jerusalém Oriental.
Detalhando os acontecimentos, o coordenador afirmou que, em 08 de fevereiro, o Gabinete de Israel aprovou medidas que irão expandir a sua autoridade na Cisjordânia ocupada e consolidar ainda mais o seu planeamento, fiscalização e controlo administrativo, inclusive em partes das Áreas A e B.
Em 15 de fevereiro, acrescentou, o Governo de Israel aprovou um plano para retomar os processos de registo de terras na Área C da Cisjordânia ocupada.
A Resolução 2334 (2016) também exige "medidas imediatas para prevenir todos os atos de violência contra civis", recordou Alakbarov, ressaltando que a violência, no entanto, continuou, com o "alto número de incidentes fatais" a impedi-lo de enumerar todos os incidentes.
O coordenador afirmou que o secretário-geral da ONU, António Guterres, condena a expansão "implacável" dos colonatos israelitas na Cisjordânia, que, entre outras coisas, ameaça a viabilidade de um Estado palestiniano totalmente independente e contíguo.
A rápida expansão dos colonatos, juntamente com o aumento dos ataques relacionados a colonos, constitui "uma violação do direito internacional", minando o direito dos palestinianos à autodeterminação, insistiu.
Os palestinianos enfrentam deslocamentos, demolições, despejos e restrições de movimento e acesso "paralisantes" que sufocam a economia e limitam severamente o acesso a tudo, desde emprego e hospitais até escolas e terras agrícolas, sublinhou ainda o coordenador.