ONU alerta para intensificação da retórica expansionista de Israel
secretário-geral da ONU, António Guterres, admitiu hoje estar preocupado com os ataques "incessantes" e a "crescente" retórica expansionista de Israel em direção ao Líbano.
A posição de Guterres surge na sequência das recentes declarações do ministro das Finanças israelita, Bezalel Smotrich, que defendeu a modificação da fronteira de Israel com o Líbano para anexar parte daquele país.
Numa conferência de imprensa em Nova Iorque, o porta-voz de Guterres, Stéphane Dujarric, foi questionado sobre a proposta de Smotrich de transferir a fronteira do seu país com o Líbano para o rio Litani, o que implicaria a absorção de cerca de 8% do território libanês, segundo diversos meios de comunicação social.
"Isso faz parte da retórica crescente que nos preocupa muito. Acho que é a última coisa que gostaríamos de ver. É a última coisa que o povo libanês do sul gostaria de ver", disse Dujarric.
"Preocupa-nos o aumento da retórica que estamos a assistir. Preocupamo-nos com a incessante atividade militar que estamos a assistir", insistiu.
Segundo relatos da imprensa local, o ministro israelita afirmou que o rio Litani "deve ser a nova fronteira" com o Líbano, "assim como a 'Linha Amarela' em Gaza e a zona tampão e o topo do Monte Hermon na Síria".
Nos últimos anos, Israel impôs o seu controlo efetivo sobre mais da metade da Cisjordânia e da Faixa de Gaza.
"Não precisamos de mais combates. Não precisamos de mais retórica", afirmou o porta-voz de Guterres.
Dujarric pediu "respeito pela integridade territorial do Líbano", assim como pelo seu Governo.
"É necessário retomar as negociações e a plena implementação da resolução 1701 do Conselho de Segurança", acrescentou, referindo-se ao texto aprovado por unanimidade em 2006 que procurou pôr fim às hostilidades entre o grupo xiita libanês Hezbollah e Israel.
As declarações do porta-voz de Guterres surgem após mais de 20 dias de ataques israelitas ao Líbano, que tiveram origem nos bombardeamentos do Hezbollah contra Israel em resposta à morte do líder supremo iraniano, Ali Khamenei, morto no primeiro dia da ofensiva de grande escala dos Estados Unidos e de Israel contra o Irão.
Ali Khamenei foi oficialmente substituído como líder dos xiitas pelo filho, Mojtaba Khamenei.
O Hezbollah é parte do chamado "eixo da resistência iraniano", um conjunto de movimentos financiados e municiados por Teerão para atacar Israel, e que integra o Hamas em Gaza, os Huthis no Iémen e ainda milícias xiitas no Iraque, entre outros.
O exército israelita tem-se concentrado no lançamento de mísseis contra a região sul do Líbano e na realização de ataques aéreos contra supostos alvos do Hezbollah.
Nos últimos dias, também atacou pontes que ligam a região mais ao sul do país ao restante território, supostamente para isolar os combatentes do Hezbollah.
O número de mortos na ofensiva aérea e terrestre de Israel contra o Líbano subiu hoje para 1.072, após 33 mortes e 90 feridos nas últimas 24 horas, segundo o Centro de Operações de Emergência do país.