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Chegou a Havana primeiro navio com ajuda humanitária do "Comboio Nuestra América"

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O primeiro barco da frota do "Comboio Nuestra América", que transporta mais de 30 toneladas de ajuda humanitária, chegou hoje a Cuba para apoiar a ilha sob embargo energético dos Estados Unidos.

O barco de pesca "Maguro", que partiu do México, é o primeiro a chegar a Havana, após a data inicial de chegada (21 de março) ter sido adiada devido a atrasos ligados às condições climatéricas.

A chegada de outros dois navios está prevista para os próximos dias.

Ao aproximarem-se do porto e das suas fortificações da época colonial, os ativistas subiram ao teto da embarcação, simbolicamente rebatizada de "Granma 2.0", em homenagem ao iate utilizado pelo grupo de guerrilheiros liderado por Fidel Castro para lançar a sua revolução em 1956.

O navio transporta 30 toneladas de ajuda humanitária a bordo para a ilha, além de mais de 70 painéis solares destinados a centros de saúde, bem como alimentos básicos como arroz, feijão e cereais, juntamente com medicamentos e produtos de higiene.

Todo o material provém de doações de diferentes países, embora o navio tenha partido do México.

Na semana passada aterraram na ilha dois aviões do "Nuestra América", um deles proveniente dos Estados Unidos e outro desde Milão.

O avião que partiu da Europa transportava cerca de cinco toneladas em medicamentos e material médico e levou pelo menos 120 voluntários de 19 países europeus, incluindo três voluntários portugueses.

A organização por trás da frota, a Internacional Progressista, acusou a administração do Presidente norte-americano, Donald Trump, de estar a "asfixiar a ilha, cortando o fornecimento de combustível, os voos e os bens essenciais à sobrevivência".

"As consequências são letais, tanto para os recém-nascidos e as suas mães e pais, como para os idosos e os doentes", assinalam, ao mesmo tempo que explicam que a frota foi lançada "em solidariedade com o povo cubano".

O país sofreu sete cortes gerais de energia elétrica desde o final de 2024, incluindo dois na semana passada, devido ao envelhecimento das suas centrais termoelétricas e à escassez de combustível.

A crise agravou-se com a suspensão dos fornecimentos de petróleo bruto provenientes da Venezuela, após a captura pelos Estados Unidos do ex-presidente Nicolás Maduro numa operação conduzida pelas forças americanas em 03 de janeiro.

Washington ameaçou também aplicar sanções aos países que vendem combustível à ilha.

Além dos cortes de energia diários e prolongados que os cubanos sofrem, os preços dos combustíveis dispararam, os transportes públicos tornaram-se escassos e os camiões de recolha de lixo deixaram de circular, o que provocou uma acumulação de lixo nas ruas.