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Dinamarca realiza eleições antecipadas após crise da Gronelândia

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Foto Oscar Scott Carl/EPA

Os dinamarqueses votam hoje para as eleições legislativas antecipadas, que pode garantir um terceiro mandato consecutivo à primeira-ministra social-democrata, Mette Frederiksen, graças à sua posição firme na crise da Gronelândia com os Estados Unidos.

Mais de 4,3 milhões de pessoas estão aptas a votar para o novo Parlamento (Folketing), que será escolhido para um período de quatro anos. O Parlamento unicameral da Dinamarca tem 179 lugares, nomeadamente 175 destinam-se a parlamentares da própria Dinamarca, dois a representantes da pouco povoada Gronelândia e dois ao outro território semi-autónomo do reino, as Ilhas Faroé.

Frederiksen convocou as eleições em fevereiro, vários meses antes do necessário, aparentemente na esperança de que a sua imagem de firmeza na crise da Gronelândia a ajudasse junto aos eleitores do país.

No seu segundo mandato, o seu apoio diminuiu com o aumento do custo de vida, algo que, juntamente com as pensões e um possível imposto sobre as grandes fortunas, tem sido um tema importante da campanha.

A social-democrata de centro-esquerda, de 48 anos, é conhecida pelo seu forte apoio à Ucrânia e pela sua abordagem restritiva à imigração, dando continuidade a uma tradição na política dinamarquesa que já dura há duas décadas.

Procurando contrariar a pressão da direita e apontando para um possível aumento da imigração devido à guerra com o Irão, Frederiksen anunciou este mês propostas que incluem um potencial "travão de emergência" para o asilo e controlos mais apertados sobre os criminosos sem residência legal. O seu Governo já tinha divulgado um plano para permitir a deportação de estrangeiros que foram condenados a pelo menos um ano de prisão por crimes graves.

Dois candidatos de centro-direita esperam alcançar o cargo de primeiro-ministro. Um deles faz parte do atual governo, o ministro da Defesa, Troels Lund Poulsen, do Partido Liberal (Venstre), que liderou várias administrações recentes.

O outro é Alex Vanopslagh, de 34 anos, da Aliança Liberal, da oposição, que defende impostos mais baixos e menos burocracia, e que a Dinamarca aprove a utilização da energia nuclear. Entretanto, a admissão de Vanopslagh sobre o consumo de cocaína no início do seu mandato como líder do partido pode ter prejudicado as suas hipóteses.

Mais à direita, o Partido Popular Dinamarquês, anti-imigração, parece bem posicionado para recuperar do desempenho muito fraco nas últimas eleições, em 2022.

Não se espera que algum partido conquiste a maioria. O sistema de representação proporcional da Dinamarca produz normalmente governos de coligação, tradicionalmente compostos por vários partidos do "bloco vermelho" à esquerda ou do "bloco azul" à direita, após semanas de negociações.

O governo tripartido de Frederiksen foi o primeiro em décadas a abranger todo o espetro político. Resta saber se esta eleição resultará numa repetição, com o Partido Moderado, de centro, do ministro dos Negócios Estrangeiros, Lars Løkke Rasmussen, a servir possivelmente como fiel da balança.

Em declarações aos jornalistas após a votação, Rasmussen disse que "isto é basicamente sobre a Dinamarca a preparar-se para um mundo que é absolutamente mais incerto do que estávamos habituados no passado".

A Gronelândia, que consumiu grande parte da energia do Governo nos últimos meses, não tem sido um assunto significativo na campanha porque existe um amplo consenso sobre o seu lugar efetivo no reino. Frederiksen alertou em janeiro que a tomada da Gronelândia pelos Estados Unidos equivaleria ao fim da NATO, entretanto, a crise abrandou, pelo menos por enquanto.

Depois de o Presidente norte-americano, Donald Trump, ter recuado nas ameaças de impor tarifas à Dinamarca e a outros países europeus que se opunham à tomada do controlo da vasta ilha ártica pelos EUA, as partes envolvidas iniciaram conversações técnicas sobre um acordo de segurança no Ártico.