JPP questiona por que razão o Governo Regional não baixa preço dos combustíveis e do gás
Élvio Sousa criticou o Governo Regional pela falta de medidas para mitigar o aumento do custo de vida, acusando PSD e CDS de recusarem discutir o tema no parlamento e de protegerem interesses económicos no sector do gás.
“O PSD e o CDS recusaram, há dias, discutir no Parlamento Regional o custo de vida na Região. Um tema proposto pelo JPP, com o objectivo de reflectir e de apresentar soluções para fazer face a uma conjuntura agora fortemente agravada pelo início da guerra EUA-Israel-Irão”, apontou o secretário-geral do JPP.
Em causa está a subida "vertiginosa" dos preços dos bens essenciais, dos combustíveis, do gás e do custo de vida para as famílias e as empresas. Para o líder do JPP, é “um assunto que parece não ter simpatia por parte do PSD, sobretudo porque anda sempre a enaltecer a imagem de uma Região amplamente rica, com um PIB milionário.”
O JPP reconhece os resultados económicos, mas não esconde nem deixa esconder a realidade para debaixo do tapete. O Governo PSD/CDS pode e deve fazer mais. Tem todas as condições económicas para baixar impostos e reduzir o custo de vida. Durante quanto tempo pretenderão usar o cenário optimista dos resultados económicos, dos investimentos avultados em campos de golfe, quando temos um custo de vida elevadíssimo e a inflação quase o dobro da continental? Élvio Sousa
O dirigente sublinha que “não podemos compactuar com um discurso obcecado, de uma Região pretensamente rica, mas cuja realidade mostra uma sociedade com salários baixos, com a impossibilidade de pagar a renda e a prestação da casa, com o aumento do cabaz dos alimentos e um IVA à taxa geral de 22%”, lembrando que “o quadro social já não era famoso antes da guerra EUA-Israel-Irão, pois a taxa de inflação na Região é a mais alta do país (3.2%) e onde o preço dos bens essenciais mais tem subido.”
Nesse sentido, Élvio Sousa defende uma maior intervenção pública, pois considera ser "fundamental fazer mais, proteger as famílias e as empresas”, apontando como medidas “a baixa do IVA que permanece nos 22%, enquanto nos Açores está há anos a 16%”, bem como a necessidade de “reduzir automaticamente a carga fiscal sobre os combustíveis” e de “baixar e regular o preço do gás, altamente protegido por uma claque privada em clima de promiscuidade com o sector público.”
O líder da oposição acusa ainda PSD e CDS de bloquearem propostas: “Recentemente, e por proposta do JPP, os aliados partidários dessa minoria monopolista, o PSD e o CDS, uniram-se, em bloco, para rejeitar que o preço do gás baixasse na Madeira. Preferiram proteger os interesses financeiros de três accionistas, do que reduzir e aliviar o custo de vida de 250 mil cidadãos! Uma vergonha! Quando em toda a Europa se projecta estabelecer um tecto máximo para o gás!”
“Ser alternativa de governo, com responsabilidade e seriedade, é colocar o interesse público a defender as famílias e as empresas, e não os interesses de três acionistas que têm o monopólio do enchimento do gás”, sustenta, acrescentando que “são raros os agentes políticos que têm a coragem de falar com frontalidade desta situação, sem medo!”
“A economia avança com investimento privado, é certo. O JPP defende que o investimento privado é essencial para criar riqueza, emprego com melhores salários e dinamizar a economia. Mas, pode a Região, sobretudo nesta fase adversa, vir a corrigir a trajectória e intervir para regular e baixar o custo de vida. Essa não é uma opção ideológica. É uma obrigação de salvaguarda do interesse público”, conclui.