Teerão diz que navegação no estreito de Ormuz não voltará a ser a mesma
O presidente do parlamento iraniano afirmou hoje que a navegação no estreito de Ormuz "não voltará a ser como antes" e defendeu que o encerramento da passagem se deve às necessidades defensivas do Irão.
Mohammad Bagher Ghalibaf garantiu que as disposições legais e de navegação não voltarão a ser como antes, uma vez que a "segurança que existia anteriormente já não existe", disse em declarações ao canal PressTV.
Após os ataques dos Estados Unidos e Israel contra o Irão, iniciados a 28 de fevereiro, Teerão anunciou que o estreito ficaria encerrado para os países inimigos.
O Presidente norte-americano, Donald Trump, tem ponderado escoltar os petroleiros no estreito de Ormuz para restabelecer o fluxo de petróleo e na segunda-feira ameaçou mesmo os aliados europeus caso estes não se juntassem aos Estados Unidos.
O republicano tem pressionado igualmente o Japão e a Coreia do Sul a participar numa eventual operação de escolta de navios mercantes e reiterou hoje esse pedido.
O presidente do parlamento iraniano afirmou que "as políticas" de Washington e de Telavive "não só desestabilizaram a Ásia Ocidental, como também a segurança da Ásia Oriental, do Sudeste Asiático, do Pacífico e até mesmo dos Estados Unidos".
"Nunca tivemos a intenção de atacar os Estados vizinhos (...) mas quando nos lançam mísseis, temos o direito de responder. Muitos navios já não se deslocam porque as condições não o permitem", referiu.
Além disso, acusou os Washington e Telavive de "pretenderem monopolizar os recursos da região" e advertiu que o seu país, juntamente com outros países da região que não mencionou, "demonstrarão que esses recursos e oportunidades pertencem aos povos e às nações da região".
O diretor-geral da Organização Marítima Internacional (OMI) defendeu hoje que eventuais escoltas não vão garantir uma segurança total na navegação no estreito de Ormuz.
Arsenio Domínguez, em declarações ao Financial Times, argumentou que ações de escolta podem reduzir o risco, mas que o mesmo iria persistir e que tanto os navios mercantes como os seus marinheiros podiam ser afetados.
Desde o início do conflito o Irão atacou pelo menos 18 navios na região do Golfo Pérsico.
O Programa Alimentar Mundial (PAM) das Nações Unidas alertou hoje que a paralisação do transporte marítimo no Estreito de Ormuz e os riscos crescentes para a navegação no Mar Vermelho já estão a elevar os preços da energia, do combustível e dos fertilizantes, agravando a fome para além do Médio Oriente.
O Estreito de Ormuz é uma rota vital para a passagem de petroleiros, que transportam um quinto do comércio mundial de petróleo bruto, pelo que o bloqueio imposto pelo Irão, em retaliação aos ataques israelo-americanos contra o seu território, fez subir os preços do petróleo para mais de 100 dólares por barril.
A Agência Internacional de Energia (AIE) indicou na segunda-feira que está preparada para libertar mais reservas estratégicas de petróleo se necessário, após o anúncio feito na passada quarta-feira de libertar 400 milhões de barris no mercado para mitigar o impacto da guerra no Irão.
Os Estados Unidos e Israel lançaram em 28 de fevereiro um ataque militar contra o Irão, tendo matado durante a ofensiva o 'ayatollah' Ali Khamenei, líder supremo do país desde 1989.
O Irão encerrou o estreito de Ormuz e lançou ataques de retaliação contra alvos em Israel, bases norte-americanas e outras infraestruturas em países da região.
O estreito de Ormuz, que liga o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã, é atravessado por cerca de 20% do petróleo e por uma parte significativa do gás natural liquefeito comercializados por via marítima, segundo dados da Administração de Informação Energética dos Estados Unidos e das Nações Unidas.