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Madeira

Vereadores do Chega pedem renúncia do presidente da Câmara de São Vicente

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Foto Aspress

Os vereadores do Chega na Câmara Municipal de São Vicente, Helena Freitas e Fábio Costa, defenderam a renúncia do presidente do município, José Carlos Gonçalves, na sequência da retirada dos pelouros que lhes estavam atribuídos. A posição consta de uma nota de imprensa divulgada pelos dois eleitos.

Vereadores do Chega ficam sem pelouros em São Vicente

É uma 'bomba' que acaba de cair em São Vicente. A crise política na Câmara Municipal de São Vicente agravou-se após o chumbo de uma proposta apresentada pelo presidente na última reunião de Câmara. Na sequência desse episódio, esta manhã o presidente da autarquia, José Carlos Gonçalves, decidiu retirar os pelouros à vice-presidente Helena Freitas e ao vereador Fábio Costa, ambos eleitos pelo Chega.

No comunicado remetido ao início desta tarde às redações, os vereadores afirmam que continuarão a exercer funções no executivo municipal. “Nós vereadores da Câmara Municipal de São Vicente, eleitos pelo partido Chega, iremos continuar a fazer o nosso trabalho com o mesmo ânimo, afinco, dedicação, pugnando pela transparência, verdade e legalidade”, referem.

Segundo explicam, a decisão do presidente da autarquia foi justificada publicamente com o alegado voto contra dos vereadores na reabertura das grutas de São Vicente. No entanto, os dois eleitos contestam essa versão, garantindo que “nunca faríamos tal distrate quando está aqui em causa, o balão de oxigénio para São Vicente”.

De acordo com o comunicado, a divergência surgiu no âmbito de propostas relacionadas com a empresa municipal Naturnorte, nomeadamente a revogação de deliberações sobre a dissolução da empresa e a internalização de trabalhadores nos serviços municipais. Os vereadores consideram que essa decisão poderia afectar direitos laborais e criticam a ausência de estudos técnicos e de viabilidade económica.

Helena Freitas e Fábio Costa referem ainda que, após o chumbo da proposta em reunião de Câmara, o presidente lhes pediu que apresentassem a renúncia ao mandato, pedido que dizem ter recusado. “Somos constantemente pressionados para renunciar ao cargo, algo que não vamos fazer”, afirmam.

No mesmo documento, os vereadores acusam o presidente de falta de diálogo e de transparência na gestão do município.

O sr. José Carlos Gonçalves sempre pugnou, ao longo dos tempos, e internamente, por uma postura de desrespeito pelo vereadores e pelos pelouros que nos foram atribuídos, pois violava constantemente as decisões que tomávamos sem nos dar conhecimento ou conversa prévia, nos retirando autonomia. Silenciava a nossa palavra em reuniões de Câmara, sobre assunto dos nossos pelouros, não nos deixando argumentar em nossa defesa os assuntos apresentados pela oposição, denotando-se com isto uma protecção inexplicável ao PSD  Helena Freitas e Fábio Costa, Chega São Vicente

Nesta linha, Helena Freitas e Fábio Costa concluem que, “perante a falta de transparência do sr. presidente” e os riscos que apontam para o concelho, “deve o Sr. José Carlos renunciar ao cargo”.

Sobre a polémica na Câmara de São Vicente, o líder regional do partido admitiu, esta semana, que a crise política na única autarquia liderada pelo Chega na Madeira, gerou alguma preocupação, mas afastou motivos para alarme.

Chega diz ter garantia de que situação na câmara de São Vicente "não é motivo de alarme"

O líder do Chega/Madeira admitiu hoje que a crise política na Câmara de São Vicente, a única liderada pelo partido na região, gerou alguma preocupação, mas que o presidente do município lhe garantiu não haver motivo para alarme.