Madeira apontada como exemplo face ao continente
O modelo de educação artística desenvolvido na Madeira foi apontado como um caso de sucesso no panorama nacional durante a mesa redonda dedicada aos “50 anos da Autonomia e o impacto na Educação na Madeira”, integrada no congresso de Educação Artística que decorre este fim de semana.
No encerramento do debate, o presidente do Conservatório – Escola Profissional das Artes da Madeira, Paulo Esteireiro, sublinhou que o projecto implementado na Região conseguiu alcançar resultados que não tiveram continuidade noutras partes do país.
Segundo referiu, chegaram a existir experiências semelhantes no continente, incluindo em Lisboa, mas que acabaram por desaparecer ao fim de alguns anos.
Na Madeira, pelo contrário, foi possível consolidar um modelo estruturado e com continuidade, assente na integração da educação artística nas escolas e na formação de professores.
O responsável recordou que muitos dos avanços alcançados nasceram de ideias que inicialmente pareciam difíceis de concretizar.
“Ele não sabia que era impossível e por isso fez”, afirmou, referindo-se ao trabalho pioneiro desenvolvido por Carlos Gonçalves na criação do projecto de educação artística no ensino genérico.
Paulo Esteireiro destacou ainda o papel da educação artística na formação integral dos alunos, defendendo que a escola não deve limitar-se à transmissão de conteúdos académicos.
“Falamos de matemática e temos de ensinar os alunos para várias coisas, falamos português e temos de ensinar a escrever bem. Mas também temos de ensinar a sentir, a ouvir e a escutar”, afirmou.
Para o presidente do Conservatório, os 50 anos de autonomia demonstram que a Madeira conseguiu construir um percurso sólido na área da educação artística, resultado do trabalho conjunto de professores, instituições e decisores políticos.
Na sua perspectiva, o desafio para o futuro passa por continuar a inovar e a desenvolver projectos que reforcem o papel das artes na formação das novas gerações.