Estamos sempre a tempo de pedir desculpa
Não sou pessoa de ir atrás de rebanhos nem da conversa da multidão. Nunca fui. Sempre pensei pela minha própria cabeça, formulei as minhas opiniões e construí o que entendo ser a imagem que me refletem os outros e o mundo. Nem sempre certo mas tentando ser sempre justo. Não embarco em linchamentos públicos nem em julgamentos nas redes sociais. Tenho bem consciente o preço que pagam os que são vítimas dessas atitudes. Com o avolumar da vida também vamos aprendendo a ser mais prudentes, menos impulsivos e seguramente capacitados para tentar perceber e entender antes de deitar cá para fora teorias pouco ou nada fundamentadas especialmente quando podem ter impacto na vida de alguém. Nem tudo o que parece é e uma mentira mesmo dita muitas vezes não se torna verdade. É nossa obrigação, enquanto cidadãos conscientes e responsáveis ter a preocupação de investigar antes de participarmos num exercício cada vez mais comum de histeria coletiva que se sustenta em fake news ou histórias mal contadas e que pode, por diversas vezes causar danos irreparáveis na imagem de alguém. E o que não falta por aí são partilhas de coisas não verificadas ou acusações sobre temas que quem o faz nem sequer sabe do que está a falar.
As pessoas não têm sequer noção do prejuízo e do dano que muitas vezes são causados por partilhas de notícias que não correspondem à verdade ou que carecem de contraditório. Gente que fica com selos para a vida que carregam traumas psicológicos inultrapassáveis e que nunca deixam de ser olhados com desconfiança por muito que mais cedo ou mais tarde se prove que tinham razão. É de uma violência atroz e de um sofrimento incalculável o sentimento de injustiça porque tantas vezes implica dor e angústia nos que estão à sua volta. É muito fácil hoje em dia apontar o dedo a quem faz, perseguir os que não se contentam com a mediocridade e tentam ir mais além. Há sempre uma pontinha por onde pegar para quem é mal intencionado, há sempre uma dúvida para criar ou uma suspeita para levantar. Se a sociedade deve ser escrutinada e se devem punir os prevaricadores não é menos verdade que se deve respeitar o princípio da presunção de inocência e o direito dos envolvidos se justificarem sob pena de só sabermos uma parte da história e por conseguinte de a julgarmos de uma forma enviesada partindo de princípios errados e sustentando em elementos descontextualizados.
Como disse no princípio, tento cada vez mais seguir um exercício diferente, não sucumbindo perante primeiras impressões ou rebanhos de inquisidores. Mas mesmo fazendo um esforço para ser justo, há sempre um momento na nossa vida em que por uma razão ou por outra não o somos. Em que falhamos de forma precipitada, julgamos sem os dados todos e criamos uma imagem errada por influência do que ouvimos e vemos. Quem me acompanha nas mais de mil crónicas que já publiquei em jornais sabe que tento sempre puxar pelo lado mais positivo da vida talvez porque acho que os portugueses têm sempre muito mais facilidade em criticar do que em elogiar e eu queria fazer de forma diferente. Ainda assim, não me coibi no passado por duas ou três ocasiões de criticar uma pessoa pelas informações que me chegavam, sem a conhecer, sem lhe dar o direito de defesa e lhe permitir uma justificação. Foi mais fácil assim. Quis o destino que essa pessoa se cruzasse na minha vida nos últimos meses convidando-me inclusive para uma organização sua. Fiz questão de lhe dizer na cara, na primeira oportunidade, que o havia criticado e mesmo assim manteve o convite.
Mostrou-me nestes meses de convivência mais próxima que o mais provável é que eu estivesse errado e que tivesse sido injusto. Não através de teorias ou justificações mas no decorrer natural das suas atitudes e comportamentos. Construímos uma amizade boa, que mesmo estando só no inicio já me fez entender que a pessoa que eu achava ser está nos antípodas do que constato agora que privo com ele. E é tão bom quando alguém nos prova que estávamos errados e nos dá oportunidade de nos redimirmos e começarmos de novo. Estamos sempre a tempo de pedir desculpa e de crescermos com os nossos erros. Porque a vida é uma constante aprendizagem.
Frases soltas:
A tempestade que provocou uma autêntica tragédia na região Centro do País, mostra-nos que estamos muito pouco preparados para situações deste género e que no futuro, projectos de construção de casas e edifícios têm que ser desenhados acautelando este tipo de eventos. O mundo muda e nós temos que mudar com ele, aprendendo com a experiência.
Cristiano Ronaldo decidiu bater de frente com o Fundo Soberano que gere a Liga Saudita de Futebol, agastado com algumas opções que têm sido tomadas. Veremos até quando irá manter esta posição e que reflexos terá para a imagem do próprio mas também do País.