Aparecimento de drogas sintéticas nas cadeias preocupa serviços prisionais
A apreensão de droga dentro das prisões diminuiu ligeiramente no ano passado, mas o aparecimento de drogas sintéticas está a preocupar os serviços prisionais, que registam casos de surtos psicóticos e internamentos por consumo destas substâncias.
Em entrevista à Lusa, o diretor-geral de Reinserção e dos Serviços Prisionais, Orlando Carvalho, explicou que as novas drogas sintéticas que foram encontradas dentro das cadeias portuguesas, como é o caso da droga denominada K4, são mais difíceis de detetar, uma vez que podem ser pulverizadas em cartas ou até mesmo na roupa e, por isso, é muito difícil travar a sua entrada.
"Neste momento, o nosso foco, e um grande problema que temos, tem a ver com a introdução de drogas sintéticas. Está a causar-nos sérios problemas - quer pela dificuldade da deteção, quer pela dificuldade da própria prova, quer pelos efeitos que tem nos próprios consumidores", explicou Orlando Carvalho, que assumiu o cargo de diretor dos serviços prisionais em novembro de 2024, dois meses depois da fuga de cinco presos da cadeia de Vale de Judeus.
O consumo destas substâncias dentro das cadeias já provocou, acrescentou o diretor-geral de Reinserção e dos Serviços Prisionais, surtos psicóticos, com "consequências físicas sérias para essas pessoas, normalmente com necessidade de intervenção hospitalar".
As novas drogas sintéticas que entram nas prisões de forma muito distinta das drogas que habitualmente são transportadas em pequenas embalagens e de mais fácil deteção, levaram a Direção-Geral de Reinserção e dos Serviços Prisionais (DGRSP)a trabalhar em conjunto com o Instituto para os Comportamentos Aditivos e as Dependências (ICAD) para intervir diretamente junto dos reclusos que consomem estas substâncias, através de ações de prevenção, mas também para encontrar meios mais eficazes de detetar drogas sintéticas.
Em relação à restante droga, como cocaína ou haxixe, os métodos de introdução nas cadeias continuam a ser os mesmos dos anos anteriores, com a maioria da droga a entrar por via das visitas.
"Nas visitas regulares, não tenho dúvidas de que é o maior canal de entrada de substâncias ilícitas", acrescentou Orlando Carvalho.
Além das visitas, o diretor-geral admitiu que no último ano foram registados casos de guardas prisionais que facilitaram a entrada de droga nas prisões: "Temos alguns casos, nomeadamente um que foi público, no estabelecimento junto à Polícia Judiciária de Lisboa".
Nestes casos, garantiu o diretor-geral dos serviços prisionais, é aplicada pela DGRSP uma suspensão preventiva que pode ir até 90 dias, que corre em paralelo com o processo judicial.