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Madeira

Ordem fala na necessidade de "olhar com atenção" para os enfermeiros do Serviço de Urgência

Teresa Espírito Santo falou, aos jornalistas, da visita de acompanhamento de exercício profissional realizada esta segunda-feira, na sequência do pedido de escusa apresentado na semana passado por mais de 60 enfermeiros

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Teve lugar esta segunda-feira a visita de acompanhamento de exercício profissional ao Serviço de Urgência do Hospital Dr. Nélio Mendonça, por parte da Secção Regional da Madeira da Ordem dos Enfermeiros, na sequência do pedido de escusa apresentado, no final da semana passado, por mais de seis dezenas de enfermeiros daquele serviço hospitalar. 

À margem da Cerimónia da Lamparina que decorre esta tarde no auditório da Reitoria, da Universidade da Madeira, a presidente da Secção Regional da Ordem dos Enfermeiros vincou a necessidade de se "olhar com atenção para este contexto específico" e identificar "as verdadeiras necessidades" que se colocam ao exercício da enfermagem naquele serviço público, sendo que a resposta poderá passar por uma "reestruturação" da abordagem. 

Teresa Espírito Santo diz ser necessária uma resposta integrada para que os resultados sejam os mais adequados à população, frisando que, embora todas as admissões possam facilitar o processo, não está em causa apenas o número de profissionais. Nota, antes, a questão dos fluxos de trabalho a necessidade de "estruturas na comunidade", nomeadamente no âmbito social e de apoio no domicílio, sobretudo face a uma população cada vez mais envelhecida que exige mais cuidados. Além da Saúde, será importante uma abordagem do ponto de vista Social, mas também da Economia, vincou. 

Ainda assim, aquela responsável vê com bons olhos a entrada de mais 18 enfermeiros, ao abrigo da da bolsa de recrutamento de enfermeiros de cuidados gerais que ainda se mantém em vigor. Nesse sentido, a presidente do Conselho Directivo da Secção Regional da Ordem dos Enfermeiros espera que o Ececutivo madeirense, nomeadamente a Secretaria Regional de Saúde e Protecção Civil, cumpra com o que tem sido anunciado, avançando com a contratação de mais profissionais até Maio. 

Da vista técnica realizada hoje vai resultar um relatório que, conforme referiu Teresa Espírito Santo, será remetido ao Conselho de Administração do Serviço de Saúde da Região (SESARAM) e à tutela, na esperança de que as recomendações sejam atendidas. "Sabemos que as melhorias não se fazem de um dia a outro", notou, dizendo que, ainda assim, a Ordem vai acompanhar o processo. 

Enfermeiros continuam a prestar cuidados

A responsável da Ordem dos Enfermeiros na Região salienta que, apesar do pedido de escusa de responsabilidade, os enfermeiros do Serviço de Urgência continuam a desempenhar as suas funções normalmente. "Apesar desta escusa de responsabilidade, os enfermeiros não se demitiram dos cuidados e daquilo que lhes é exigido", salienta, referindo que "a Urgência está a funcionar na sua globalidade e os enfermeiros estão lá, nos seus postos de trabalho". 

Para o agravar da situação, entende Teresa Espírito Santo, muito tem contribuído o "pico pandémico" que atravessamos, com uma prevalência de infecções respiratórias, levando à sobrecarga dos serviços. A falta de camas para internamentos em serviços de agudos não facilita a resposta, já que muitas pessoas aguardam a vaga de uma cama no Serviço de Urgência, durante três ou quatro dias. 

"O  Serviço de Urgência não está vocacionado para cuidar de doentes em situação de internamento", reforça a enfermeira, notando que, em contexto normal, em que fossem apenas atendidos os doentes em contexto de urgência, o serviço teria as dotações de enfermeiros adequada. "Se fosse apenas para esse contexto, as dotações estariam correctas", vincou.