PM britânico quer continuar no Governo apesar de envolvimento de Mandelson no caso Epstein
O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, afirmou ontem que pretende continuar em funções, apesar dos pedidos de demissão por conhecer as ligações entre o ex-ministro Peter Mandelson e o pedófilo Jeffrey Epstein, pedindo desculpa às vítimas.
"Pretendo continuar a fazer este trabalho essencial para o nosso país", sublinhou o primeiro-ministro, num discurso em Hastings (sudeste de Inglaterra), quando deputados trabalhistas estão a pressioná-lo na sequência do escândalo.
"Devemos manter-nos focados no motivo pelo qual este Governo foi eleito, para mudar este país para melhor", sublinhou.
O líder trabalhista também pediu desculpa às vítimas do "caso Epstein" por ter nomeado Peter Mandelson como embaixador nos Estados Unidos, apesar de a sua ligação ao magnata norte-americano ser conhecida.
"Lamento ter acreditado nas mentiras de Mandelson e tê-lo nomeado" embaixador nos Estados Unidos, afirmou Starmer.
O Governo britânico prometeu divulgar todos os documentos relacionados com a nomeação de Mandelson como chefe da missão diplomática em Washington, na sequência de um pedido de deputados trabalhistas para descobrir exatamente o que Starmer sabia sobre as ligações do antigo embaixador ao pedófilo e milionário americano.
"As vítimas de Epstein viveram traumas que a maioria de nós mal consegue compreender, e tiveram de os reviver vezes sem conta", lamentou Starmer.
"Quero dizer isto: lamento, lamento o que lhes foi feito, lamento que tantas pessoas com poder lhes tenham falhado" e "lamento que, mesmo agora, sejam forçados a testemunhar como esta história é tornada pública mais uma vez", disse.
Sobre a relação entre Mandelson e Epstein, referiu: "Já sabemos há algum tempo que Mandelson conhecia Epstein, mas nenhum de nós sabia a extensão e a escuridão dessa relação".
Durante a sessão de escrutínio na Câmara dos Comuns, na quarta-feira, o primeiro-ministro alegou que Mandelson "mentiu repetidamente" sobre a profundidade da relação que tinha tido no passado com Epstein, condenado por abuso sexual de menores e que foi encontrado morto na sua cela em agosto de 2019.
Starmer está agora sob forte pressão das fileiras do seu partido, porque quando nomeou Mandelson como embaixador, os laços que este mantinha com Epstein já eram conhecidos.
Alguns deputados trabalhistas exigem a demissão do chefe de gabinete do primeiro-ministro, Morgan McSweeney, a quem culpam por ter pressionado pela nomeação de Mandelson apesar dos sinais de alerta. Outros evitaram defender o próprio Starmer quando questionados pelos jornalistas.
A popularidade do Partido Trabalhista está em níveis muito baixos.
A sondagem mais recente da YouGov a 2.330 adultos em todo o país, no início deste mês, dá ao partido no poder 19% de apoio, comparado com 18% dos Conservadores, 14% dos Liberal Democratas e 26% do Reform UK.
O mandato de Starmer -- iniciado em maio de 2024 -- tem sido marcado por medidas controversas, como cortes nos subsídios energéticos para pensionistas e aumento dos impostos sobre as transações de terras familiares, principalmente agrícolas e pecuárias.
Durante dias, Mandelson tem estado no centro do furacão depois de se ter revelado que forneceu a Epstein, quando era ministro dos Negócios Estrangeiros em 2009, documentos governamentais confidenciais sobre assuntos empresariais em plena crise económica global.
Mandelson, destituído no ano passado do cargo de embaixador nos EUA, inicialmente dissociou-se do Partido Trabalhista, deixou o seu lugar na Câmara dos Lordes na terça-feira e o Governo iniciou o processo para lhe retirar o título de lorde.