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Grupo da oposição venezuelana quer diálogo com governo para "garantir soluções"

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Foto ShutterStock

Um grupo da oposição venezuela, de que faz parte o antigo candidato presidencial Henrique Capriles, defendeu hoje diálogo com o governo para "garantir soluções que beneficiem a grande maioria que exige respostas".

"Sabemos que muitos venezuelanos não confiam nestes processos, algo tão normal no mundo para construir soluções. No entanto, esta é uma forma pacífica de garantir soluções", disse o deputado Stalin González na rede social X.

Indicou também que o grupo de opositores concordou em dialogar com o Governo, agora liderado por Delcy Rodríguez, para "propor e exigir" a construção de soluções que permitam o avanço da Venezuela "com regras claras, uma agenda pública e o compromisso de trabalhar verdadeiramente para os venezuelanos sem falhas".

Neste sentido, indicou que os opositores apresentaram "propostas urgentes" destinadas à "solução da crise económica, ao resgate do bolívar (a moeda local) e à atenção à profunda crise educativa, de saúde e de serviços públicos que se arrasta há mais de 20 anos".

Além disso, continuou, levantaram "a necessidade de estabelecer compromissos inequívocos na Lei de Amnistia" proposta pelo Governo, bem como "a libertação total de todos os presos políticos, a recuperação da institucionalidade e garantias reais para o exercício da política".

Este grupo não se alinha com a oposição liderada por María Corina Machado -- Nobel da Paz 2025 - e o candidato às presidenciais de 2024 Edmundo González Urrutia, que mantêm a exigência da derrota de Nicolás Maduro nessas eleições.

O órgão eleitoral da Venezuela proclamou então a reeleição de Maduro para um terceiro mandato presidencial, apesar de Edmundo González reclamar vitória, com base nas atas eleitorais.

A maioria da comunidade internacional não reconheceu a vitória de Maduro.

O presidente do Parlamento e principal negociador do chavismo, Jorge Rodríguez, disse na quarta-feira que espera que o projeto de Amnistia, proposto pela Presidente interina, a sua irmã Delcy Rodríguez, "acelere" o diálogo político convocado pelo governo.

A 23 de janeiro, a atual líder e antiga número dois do governo de Maduro propôs que fosse convocado um "verdadeiro diálogo político" que incluísse tanto setores políticos de "coincidência" como "divergentes", tarefa que confiou ao irmão.

Delcy Rodríguez anunciou na passada sexta-feira a proposta de uma lei de amnistia para libertar prisioneiros políticos detidos desde 1999 até ao presente, um período que abrange os governos do chavismo.

Os detalhes deste projeto de lei são ainda desconhecidos, mas o diploma será discutido hoje no Parlamento e terá de passar por uma segunda discussão para ser aprovado.

Na madrugada de 03 de janeiro, Nicolás Maduro e a esposa, Cilia Flores, foram retirados à força de casa, em Caracas, pelo exército norte-americano e depois transportados para Nova Iorque, onde estão detidos a aguardar julgamento, acusados de tráfico de droga, corrupção e branqueamento de capitais.

Ambos se declararam inocentes.