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Explicador Madeira

"Pirâmide alimentar invertida" promete repensar a nossa alimentação diária

Proposta foi apresentada no início do ano nos EUA

No início do ano, os Estados Unidos apresentaram uma revisão polémica das suas directrizes alimentares, introduzindo um modelo gráfico que rapidamente ficou conhecido como a 'pirâmide invertida' ou a nova roda dos alimentos americana.

Este novo esquema representa uma mudança profunda em relação aos modelos anteriores, substituindo o tradicional triângulo alimentar, reorganizando assim a hierarquia dos alimentos e a forma como se pensa a alimentação diária.

Ao contrário das orientações passadas, a pirâmide invertida coloca proteínas, gorduras naturais e alimentos minimamente processados no topo, enquanto os hidratos de carbono refinados, açúcares adicionados e produtos ultraprocessados são relegados para a base ou praticamente fora das recomendações principais.

A proposta foi liderada por Robert F. Kennedy Jr., secretário do Departamento de Saúde e Serviços Humanos, no contexto da iniciativa 'Make America Healthy Again', que enfatiza o regresso à chamada "comida de verdade". Desse modo, alimentos naturais, como carnes, ovos, frutas, legumes, laticínios e gorduras saudáveis, como abacate, azeite e frutos, são promovidos como essenciais, enquanto produtos altamente processados e açúcares adicionados são fortemente desencorajados

Além disso, é recomendado o consumo dos conhecidos hidratos com moderação. Ou seja, alimentos como cereais, pão branco, arroz, massa e batata devem ter menor protagonismo na dieta e serem ingeridos de forma controlada.

A ideia é dar preferência a alimentos mais nutritivos, menos processados e que proporcionem maior sensação de saciedade.

Impactos positivos e potenciais benefícios

A restrição significativa de alimentos ultraprocessados é amplamente considerada pelos especialistas como benéfica para a saúde pública, pois promove uma alimentação rica em frutas, legumes e alimentos integrais, melhorando a qualidade global da dieta. A valorização das gorduras boas, como as presentes no azeite e nos frutos secos, contribui para a saúde cardiovascular e ajuda a suprir necessidades energéticas de diferentes grupos populacionais.

Críticas e controvérsia

Apesar de alguns aspectos serem bem recebidos, a nova pirâmide tem gerado críticas de profissionais de saúde e nutricionistas, que têm alertado para o risco de aumento do consumo de sódio e de gorduras saturadas, especialmente devido ao uso de sal no preparo dos alimentos e ao maior consumo de carne vermelha, reforçando assim a importância dos consumidores optarem por laticínios com baixo teor de gordura.

Não obstante, a colocação dos hidratos de carbono refinados na pirâmide vai contra décadas de estudos que demonstram os benefícios desses alimentos para a saúde cardiovascular e geral. Os especialistas também apontam que não existem evidências robustas que suportem um consumo elevado de proteína para toda a população, tornando as metas sugeridas potencialmente inadequadas para certos grupos, dependendo das suas idades, actividade física e condições de saúde.

Comparação com o modelo europeu

Em Portugal e na Europa, os guias nutricionais mantêm uma abordagem mais equilibrada e variada, em que todos os grupos alimentares têm um papel complementar. Os hidratos de carbono, especialmente os integrais, continuam a ser valorizados, e a ingestão de proteínas é moderada. 

Assim, no espaço europeu continuam a ser promovidos padrões alimentares como a dieta mediterrânica, que privilegia alimentos de origem vegetal e recomenda um consumo moderado de produtos de origem animal. Em Portugal, a Roda dos Alimentos também segue em consonância com o consenso científico europeu, destacando a importância do equilíbrio, da variedade e da qualidade na alimentação.