Juventude Popular da Madeira debate violência doméstica em mesa-redonda
A Juventude Popular da Madeira organizou uma mesa-redonda sobre violência doméstica e protecção das vítimas no auditório da Junta de Freguesia de São Martinho, que registou lotação esgotada.
A sessão contou com as intervenções de Silvana Freitas, representando a Associação Presença Feminina, e de Sara Madalena, deputada do CDS, num formato de perguntas e respostas que procurou "fugir ao discurso confortável" e abordar os pontos críticos do sistema de apoio e justiça.
O presidente da JP-Madeira, Leandro Silva, explicou que a iniciativa "não quis abordar este tema de forma consensual", privilegiando uma abordagem "crua e real". "Se queremos proteger vítimas e prevenir reincidências, temos de fazer as perguntas certas: como vivem e trabalham os técnicos no terreno, o que falha no circuito de proteção, e que respostas existem quando a justiça não chega a tempo", afirmou.
O debate abordou o papel do advogado, as dificuldades no encaminhamento e abrigo das vítimas, o impacto nas crianças e procurou desmontar preconceitos como a expressão "entre marido e mulher, não se mete a colher". Foi ainda discutida a reprodução de linguagem misógina em alguns acórdãos judiciais.
Leandro Silva defendeu que "a sociedade falha quando relativiza, desculpabiliza ou silencia" e apelou a uma intervenção mais consequente: "A política tem de assumir um papel activo - e nós, em particular no CDS-PP, que acreditamos na democracia cristã e nos valores humanistas, não podemos ser espectadores: temos de estar do lado da dignidade humana, da protecção e da responsabilização", referiu.
O dirigente destacou ainda o simbolismo da iniciativa, recordando que "o nosso presidente, José Manuel Rodrigues, foi um dos fundadores da Associação Presença Feminina, o que reforça a importância de mantermos esta causa como prioridade e com coragem", concluiu.