Cerca de uma centena protesta no Funchal contra pacote laboral
Alexandre Fernandes, coordenador da União de Sindicatos da Madeira (USAM), não afasta a possibilidade de uma nova greve geral
Cerca de uma centena de pessoas participaram, na manhã deste sábado, na manifestação promovida pela União dos Sindicatos da Madeira (USAM), integrada numa jornada nacional de luta contra o pacote de alterações à legislação laboral.
Empunhando cartazes e palavras de ordem, os manifestantes percorreram a Rua do Bom Jesus, Ponte do Bom Jesus, Rua 5 de Outubro, Ponte do Bazar do Povo, Largo do Phelps e Rua Dr. Fernão de Ornelas, terminando junto à Feira dos Tecidos, onde decorreu a intervenção sindical.
A acção, sob o lema 'É possível uma vida melhor! Mais salário, direitos e serviços públicos', contou também com a participação da Associação de Reformados, Pensionistas e Idosos da Região Autónoma da Madeira (ARPIRAM).
No final da manifestação, o coordenador da USAM, Alexandre Fernandes, deixou um aviso ao Governo. “Nós não vamos desistir enquanto o Governo insistir em manter alterações à legislação laboral que são gravosas e que ainda agravam mais aquilo que já hoje é prejudicial para os trabalhadores”.
Entre as principais críticas está a proposta de alteração às normas da parentalidade. O dirigente sindical alertou que, a serem aprovadas, poderão impedir pais com filhos até aos 12 anos, incluindo crianças com necessidades educativas especiais, de recusarem trabalho noturno, ao fim de semana ou em feriados. “Sabendo que não há estruturas para apoiar estas famílias, são os pais que muitas vezes asseguram esses cuidados. Isto é muito grave”, afirmou.
A USAM contesta ainda a imposição de bancos de horas grupais e individuais, considerando que representam “trabalho gratuito” e maior controlo das empresas sobre o tempo dos trabalhadores. Alexandre Fernandes apontou também como “muito grave” a possibilidade de introdução do despedimento sem justa causa, medida que classificou como uma tentativa de retomar propostas antigas.
A nível regional, o sindicalista denunciou promessas sucessivamente adiadas em vários sectores da administração pública, como saúde e educação. “Os trabalhadores estão fartos de promessas recicladas e sempre adiadas. Há necessidade de passar das palavras aos actos”, sublinhou.
Quando questionado pelos jornalistas sobre novas formas de luta, admitiu que “todas as formas estão em cima da mesa, incluindo naturalmente uma greve geral”, acrescentando que será a mobilização dos trabalhadores a determinar os próximos passos.
“Nem que seja uma mulher só, um homem só, nós iremos sempre lutar”, concluiu, reafirmando a continuidade da contestação.