JPP defende requalificação do Hospital Dr. Nélio Mendonça para respostas sociais e de saúde
O Juntos Pelo Povo (JPP) promoveu este sábado, no espaço IDEA da Assembleia Legislativa da Madeira, uma jornada de debate sobre o futuro do Hospital Dr. Nélio Mendonça, colocando em causa a intenção anunciada pelo presidente do Governo Regional, Miguel Albuquerque, de alienar o edifício após a construção da nova unidade hospitalar.
Em declarações à imprensa, o deputado do JPP, Paulo Alves, explicou que a iniciativa surge na sequência da “questão levantada pelo próprio presidente do Governo quando anunciou a alienação ou supostamente a venda do hospital”, defendendo que a verba resultante dessa operação poderia ser canalizada para ajudar a financiar o novo hospital.
“Foi uma questão que na altura levantou alguma polémica e o JPP decidiu organizar estas jornadas para pôr à discussão esta temática”, afirmou.
O parlamentar sublinhou que o debate reúne profissionais de diferentes áreas, entre arquitetos, médicos e enfermeiros, “pessoas que estão no terreno, que trabalham até no próprio hospital, que conhecem o edifício e sabem as condições em que ele está”, com o objectivo de reflectir sobre o que fazer ao espaço após a sua desactivação.
Paulo Alves revelou que existe um estudo preliminar sobre a alienação ou requalificação do imóvel, apontando para um investimento de 109 milhões de euros caso o edifício seja transformado num lar. “Tem-se falado nos 107 milhões, mas o próprio estudo que tenho aqui fala num valor de 109 milhões de euros para requalificar para um lar”, precisou.
Contudo, segundo referiu, a hipótese de converter o hospital em habitação a custos controlados, cenário também admitido pelo chefe do Executivo madeirense, poderá revelar-se mais cara. Citando intervenções feitas no debate, nomeadamente da arquiteta Susana Gouveia Neves, Paulo Alves sustentou que “transformar aquele edifício em habitação a custos controlados é mais caro, muito mais caro, do que transformar num lar”.
Para o JPP, a prioridade deve passar pela criação de respostas na área social e da saúde, tendo em conta o envelhecimento da população madeirense. “Neste momento a população está a envelhecer. Nós precisamos de lares, precisamos de unidades de cuidados continuados”, defendeu, acrescentando que o edifício, com cerca de 42 mil metros quadrados de área de construção, permite integrar várias valências.
Entre as possibilidades apontadas estão unidades de cuidados continuados, estruturas de apoio à terceira idade, um centro de desenvolvimento da criança ou respostas na área da pediatria e da juventude ligadas à saúde. “O que nós defendemos não é só um lar, é dar uso àquele edifício na área da saúde e na área social”, frisou em declarações aos jornalistas.
O deputado alertou, além disso, para as características técnicas do imóvel, nomeadamente ao nível das infraestruturas comuns, como a rede de esgotos, defendendo que o espaço “tem que ser gerido de uma forma comum” e não fragmentado em fracções autónomas, sob pena de implicar “mais gastos e mais despesas” numa eventual adaptação para habitação.
Recordando intervenções recentes do presidente do Instituto de Habitação da Madeira (IHM) sobre os custos da construção, Paulo Alves reiterou que “é muito mais barato transformar num lar do que transformar em habitação, mesmo a custos controlados”, considerando que a requalificação para fins sociais representa uma solução “mais viável” e alinhada com as necessidades da região.
A eventual alienação do edifício apenas deverá ocorrer após a entrada em funcionamento do novo hospital, apontada para 2029 ou 2030. Ainda assim, o JPP entende que a discussão deve começar já. “É óbvio que requalificar aquele património da Região para aquilo que é preciso neste momento e no futuro é muito melhor e mais viável do que estar a vender património da região para habitação, hotéis ou outros setores”, concluiu.