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Turismo Madeira

"Centralismo serôdio e bafiento é inaceitável"

Vice-Presidente do Governo dos Açores critica severamente executivo nacional por causa do subsídio de mobilidade

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Artur Lima endurece críticas à República e pede a Bolieiro e Albuquerque que evitam dar "colinho" a quem trata mal a Autonomia

O Vice-Presidente do Governo dos Açores, Artur Lima, assume-se um autonomista "revoltado" e entende que as duas regiões autónomas terão que desenvolver um esforço conjunto para combater o centralismo vigente em Portugal, de modo que as relações entre governos não continuem a ser "um parto difícil".

"As relações entre os governos da República e os governos das regiões autónomas não podem ser um parto difícil, não podem ser sempre um parto a ventosa e a fórceps e que às vezes acabem em cesariana, não é? E muitas vezes,  a criança sai asfixiada do parto, que é o que está a acontecer com o chamado subsídio social de mobilidade. Quer dizer, a criança nasceu com o o cordão umbilical com cinco voltas à volta do pescoço,  estrangulada e, obviamente, que nós não podemos permitir que tal aconteça. Neste caso, o melhor é fazer logo uma cesariana e acabar com o assunto. E é isso que o Governo dos Açores e o Governo da Madeira têm que fazer", refere.

Em declarações aos jornalistas na BTL, após o anúncio oficial da nova rota da SATA entre a Terceira e a Madeira, o governante apelou aos seus "estimados amigos" José Manuel Bolieiro e Miguel Albuquerque para que em vez de cimeiras insulares implementem medidas concretas que acabem de vez com a lógica de favor insinuada pela República.

Artur Lima entende que o governo liderado por Luís Montenegro é centralista, postura infelizmente agravada por ser "oriunda de um Partido Social Democrático e de um Partido Democrático Cristão, pois quando são os socialistas já não estranho". E sublinha que da social-democracia e da democracia cristã "um centralismo serôdio e bafiento é inaceitável".

Daí o apelo: "Afirmem as suas regiões autónomas ou então nós vamos no mau caminho e afirmar as regiões autónomas é não necessitar da República e apenas necessitar da República naqueles que são os deveres constitucionais e legais do Governo da República. Quanto ao resto, temos que fazer nós por nos bastarmos a nós próprios e exigirmos à República que nos pague o que tem que pagar, devido à nossa posição geostratégica, por estarem na NATO à nossa custa, por terem a Zona Económica Exclusiva à custa dos Açores e da Madeira isto tudo o Governo da República tem que nos pagar. Ponto final, parágrafo!"

Para Artur Lima, as duas regiões autónomas devem "ir neste caminho em vez de andar com eles ao colinho e a dar-lhes colinho, que é o que temos feito até agora".

Quanto à nova rota da Azores Airlines, que liga a Terceira à Madeira a partir de Maio, considera estar perante "uma boa notícia, que também foi tirada a ferros, o que não era necessário, mas a criança nasceu bem" e vai ser "um bom exemplo do relacionamento entre os Açores e a Madeira, da aproximação entre as duas regiões e também a República vai perceber que quando se faz bebés bons eles crescem bem e as regiões autónomas são dois bebés criados na democracia e que é preciso democraticamente respeitá-lo, o que a República às vezes se esquece de  fazer".