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Madeira

“Madeira foi crucial para o poder naval britânico”

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O historiador Jeremy Black, professor emérito da Universidade de Exeter, destacou o papel estratégico da Madeira na história atlântica e na projecção do poder britânico, durante a mesa “Winston Churchill: Defender of the West”, integrada nas Conferências do Atlântico, em Câmara de Lobos.

Perante uma audiência de académicos e responsáveis institucionais, sublinhou que Winston Churchill não pode ser reduzido a uma narrativa simples.

“Churchill ficaria surpreendido se alguém tentasse suavizar a sua trajectória e apresentá-lo como uma lição fácil”, afirmou.

Jeremy Black explicou que a carreira do estadista britânico foi marcada por decisões tomadas num contexto internacional extremamente complexo.

“Um político não tem o luxo dos comentadores ou dos académicos de ser sempre consistente”, disse, acrescentando que Churchill teve de gerir simultaneamente os desafios colocados pela Alemanha nazi, pela Itália de Mussolini e pelo expansionismo japonês.

O historiador defendeu que essas aparentes contradições não diminuem a sua importância histórica.

“Isso não reduz a sua realização, antes a reforça”, sublinhou.

Na intervenção, Jeremy Black fez questão de puxar a Madeira para o centro da análise, lembrando que a ilha teve um papel concreto na estratégia global britânica.

“Madeira era um ponto absolutamente crucial para o abastecimento de carvão da marinha e do comércio britânico”, afirmou.

Explicou que os navios que ligavam a Europa à África Austral, à Índia e à América do Sul dependiam de escalas no arquipélago, o que colocava a ilha no coração das rotas imperiais.

Segundo referiu, Churchill conhecia bem essa realidade muito antes da sua passagem pela Madeira.

“Qualquer figura relevante do Império britânico passou por aqui em algum momento”, disse, sublinhando a centralidade histórica do arquipélago.

Black considerou que esta dimensão reforça a pertinência de debater a obra de Churchill precisamente na Madeira, região que não foi apenas cenário da sua vida pessoal, mas também peça da arquitectura estratégica do Atlântico.