"A habitação é um direito, não apenas um bem económico"
Beatriz Jardim alerta para preços elevados e insuficiência da oferta na RAM
Beatriz Jardim, presidente da Região Madeira da Ordem dos Engenheiros, sublinhou que a crise da habitação não é exclusiva da Madeira: “Trata-se de um problema à escala europeia. A Comissão Europeia apresentou em Dezembro o primeiro pacote abrangente para enfrentar a crise, com legislação, reformas estruturais e um investimento anual da ordem de 150 mil milhões de euros, destinado a promover habitação de qualidade e acessível, combater a especulação e limitar o alojamento de curta duração”.
Na Região Autónoma da Madeira, segundo a dirigente, verifica-se um aumento acentuado dos preços, desalinhamento entre rendimentos e custos da habitação, pressão sobre arrendamento de longa duração e impacto do turismo. Apesar de o Governo Regional prever a construção de 805 novas habitações de renda reduzida até 2026, num investimento de 128 milhões de euros, Beatriz Jardim considerou que a oferta continua insuficiente face às necessidades da população, sobretudo da classe média e dos jovens à procura da primeira casa.
“Se o mercado não se auto-regula e os pacotes públicos não são suficientes, a resposta tem de vir de todos os quadrantes da sociedade. A habitação não é apenas um bem económico transaccionável, é um direito, um elemento essencial à estabilidade, dignidade e coesão social”, concluiu.
A presidente da Ordem dos Engenheiros abriu a conferência ‘Crise da Habitação na RAM – Haverá por aí uma casa que caiba na minha bolsa?’, integrada no ciclo Conversas com a Sociedade 2025-2028, sublinhando o compromisso da Ordem em aproximar a engenharia da sociedade e promover debate técnico e construtivo sobre temas de interesse público.