São Valentim... fora de tempo!

Já passaram uns dias que se celebrou o Dia de São Valentim.

Muitos cravos, muitas rosas, muitos lindos e significativos arranjos florais para presentear a pessoa, pela qual, existe profundo sentimento de aproximação.

É bom e bonito vermos estes gestos de amizade, de gratidão, de amor por quem amamos ou simplesmente gostamos ou admiramos.

Só é pena que São Valentim não esteja sempre presente em todos os dias das nossas vidas, em todos os lares, momentos e ocasiões.

Vivemos, indubitavelmente, um período se não negro, profundamente cinzento da história da humanidade, em todos os seus componentes, onde, infelizmente, os relacionamentos pessoais não fogem à regra.

Não é uma coisa nova que nascesse ontem ou hoje, sempre houve faltas de lealdade, de respeito e de gratidão através dos tempos, mas hoje sentimos um agravamento atroz, culminado em atitudes que atinge o auge da violência, da crueldade, em resumo, da desumanidade.

Os novos tempos trouxeram diferentes atitudes e comportamentos – nem todos de louvar, valha a verdade – que requerem, sobretudo, um poder de encaixe e tolerância, sobretudo dos casais, que nem sempre existe.

Estamos plenamente convencidos que a falta dessas duas (digamos) virtudes estão na origem, não de todos, mas de muitos problemas existentes no seio de certos relacionamentos.

Falando particularmente do nosso País, estamos convictos que, a liberdade sem freio, como de um momento para outro nos foi concedida, apanhou muita gente impreparada para recebê-la e daí as consequências verificadas.

E isso observa-se, evidentemente, no comportamento geral da sociedade, mas como este apontamento refere-se a São Valentim, logicamente será sobre a amizade e o amor que mais nos focamos.

E se ainda hoje prevalecem laços de amor e de amizade saudáveis e duradouros – aí de nós se não existissem – não podemos deixar de referir e lamentar o aumento brutal da violência doméstica e daquela que, incrivelmente, tem início já no namoro.

E quando nos referimos no namoro estamos a nos lembrar dos jovens que estão a dar os primeiros passos na sua relação amorosa e que têm de ser vistos por um prisma diferente daqueles que já vivem juntos, possuem filhos e continuam a tratar-se como namorados.

Se bem que, em ambos (como em todos) os casos, seja condenável todo o tipo de violência, custa-nos mais vermos nos jovens, onde não existe uma mão de pai ou de mãe, ou de uma Justiça, capaz de os demover da prática de atos violentos, de cortar o mal pela raiz enquanto é tempo.

Já se viveram melhores dias de São Valentim e o futuro, infelizmente, não nos parece que seja mais risonho.

Juvenal Pereira