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Ex-ministro francês alvo de buscas por alegado envolvimento em crimes financeiros com Epstein

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O antigo ministro da Cultura e da Educação francês Jack Lang está hoje a ser alvo de buscas num caso relacionado com alegadas ligações financeiras ao criminoso sexual norte-americano Jeffrey Epstein, indicou o Ministério Público de França.

As buscas, segundo o Ministério Público, começaram hoje em vários locais, nomeadamente no Instituto do Mundo Árabe (IMA), de que Lang, 86 anos, foi presidente, e de que foi, entretanto, pressionado a apresentar a demissão.

As autoridades judiciais francesas abriram a 06 deste mês uma investigação por suspeitas de "branqueamento de fraude fiscal agravada", tendo como alvo o antigo ministro socialista, que também tutelou a pasta da Educação, e a sua filha, Caroline Lang, e que já negou as acusações.

As investigações estão confiadas ao Organismo Nacional Antifraude (ONAF) e, até ao momento, não foi deduzida qualquer acusação contra Jack Lang, que abandonou sob pressão a presidência do IMA, instrumento das relações de França com o mundo árabe.

Documentos tornados públicos pela justiça norte-americana mencionam o seu nome 673 vezes em trocas de mensagens com o criminoso sexual Jeffrey Epstein e revelam ligações de interesse entre ambos.

As buscas decorrem no momento em que Jack Lang se despedia dos funcionários do IMA, numa cerimónia.

"Congratulo-me por a justiça financeira se pôr em marcha", declarou no seu discurso, sem fazer referência explícita às buscas, reportou um jornalista da agência noticiosa France-Presse (AFP) presente no na cerimónia.

Segundo uma investigação publicada a 02 deste mês pelo portal noticioso Mediapart, Caroline Lang fundou, em 2016, com Jeffrey Epstein, uma sociedade 'offshore' domiciliada nas Ilhas Virgens norte-americanas.

Na sequência destas revelações, Caroline Lang demitiu-se de imediato do cargo de delegada-geral do Sindicato da Produção Independente (SPI).

Antiga figura do Partido Socialista francês, o antigo ministro da Cultura e da Educação, conhecido, nomeadamente, por ter lançado, na década de 1980, o conceito da Festa da Música, entretanto adotado por vários países, assegurou que as acusações de que é alvo são "infundadas".