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PM gronelandês afirma que a única ameaça que sente é dos EUA

Jens-Frederik Nielsen em encontro com a primeira-ministra dinamarquesa Mette Frederiksen, e o Secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, em Munique. Foto DR/Gabinete do PM da Gronelândia
Jens-Frederik Nielsen em encontro com a primeira-ministra dinamarquesa Mette Frederiksen, e o Secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, em Munique. Foto DR/Gabinete do PM da Gronelândia

O primeiro-ministro da Gronelândia, Jens-Frederik Nielsen, rejeitou hoje o discurso sobre a ameaça russa e chinesa no Ártico e alertou que a única ameaça sentida pela população do território é a de um aliado, referindo-se aos Estados Unidos (EUA).

"Os gronelandeses não sentiram a ameaça da Rússia ou da China, a primeira vez que nos sentimos ameaçados foi quando um aliado nos ameaçou com a conquista", declarou Nielsen durante a sua intervenção na Conferência de Segurança de Munique (MSC), a decorrer este fim de semana.

"É um paradoxo", acrescentou.

Para o líder gronelandês, as últimas manobras militares de países europeus aliados, como as missões Resistência Ártica ou Sentinela Ártica, foram de grande ajuda, tendo-as qualificado como "um passo na direção certa".

"Nunca discordámos que precisamos de mais segurança no Ártico", salientou.

Juntamente com Nielsen, também esteve presente no evento de Munique a primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, que alertou que os Estados Unidos mantêm a pressão sobre a Dinamarca, que exerce soberania sobre a Gronelândia, o que para a líder é "inaceitável".

Frederiksen lembrou que existe um acordo bilateral em vigor com os Estados Unidos que permite a Washington ter uma "forte presença" na ilha ártica.

"Sempre fomos um parceiro muito forte e fiável", sublinhou.

Indicou ainda que estão a trabalhar numa equipa de negociações, mas sempre com "linhas vermelhas claras".

Em janeiro, após repetidas ameaças de anexar a ilha, o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que tinha estabelecido, juntamente com o secretário-geral da NATO, Mark Rutte, o "quadro para um futuro acordo" em relação à Gronelândia.

Também recuou em relação às tarifas anunciadas para vários países europeus que contestaram publicamente as intenções de Washington em relação ao território autónomo dinamarquês.